Escalada no Oriente Médio reduz apostas de corte maior na Selic

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central define nesta quarta-feira (18) a nova taxa básica de juros. Até a semana passada, a maior parte do mercado projetava que a Selic cairia 0,5 ponto percentual, de 15% para 14,5% ao ano. Com o agravamento da guerra no Oriente Médio e o salto do petróleo, porém, a expectativa dominante agora é de uma redução mais modesta, de 0,25 ponto, para 14,75%.

Termômetro do Copom indica mudança

De acordo com o Termômetro do Copom, ferramenta do Valor Investe que acompanha contratos de opções na B3, 66% dos investidores passaram a prever corte de 0,25 ponto. Outros 20% apostam na manutenção da taxa e apenas 14% ainda contam com ajuste de 0,5 ponto.

Projeção de bancos internacionais

O Goldman Sachs também espera um início “cauteloso” do ciclo de afrouxamento monetário, com redução de 0,25 ponto. Em relatório, o banco cita dólar mais forte, perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos, maior aversão a risco e condições financeiras globais mais apertadas como fatores que influenciaram a mudança de cenário. A instituição avalia que, sem esses choques, o Copom provavelmente adotaria corte de 0,5 ponto e não descarta, ainda que com pouca probabilidade, a possibilidade de não haver queda nesta reunião.

Pressão do petróleo e reflexo na inflação

A disparada dos preços do petróleo é consequência direta do conflito na região que abriga o Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte da commodity. O barril voltou a se aproximar de US$ 100, elevando o temor de novas pressões inflacionárias globais. No Brasil, combustíveis mais caros têm efeito cascata sobre fretes, produção e, consequentemente, sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Em fevereiro, o IPCA avançou 0,70%, acima da mediana de 0,63% apurada pelo Valor Data. O resultado reforçou a cautela de investidores quanto ao ritmo de cortes de juros.

Revisão das apostas para 2026

No Boletim Focus divulgado esta semana, a projeção para a Selic no fim de 2026 subiu de 12,13% para 12,25%, confirmando a leitura de que o Banco Central pode atuar de forma mais conservadora diante de um cenário externo instável e de incertezas quanto à inflação.

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