O colunista Michael Viriato, do blog De Grão em Grão, destacou que o investimento em fundos de índice (ETFs) não elimina a necessidade de decisões ativas na montagem de carteiras. Em artigo publicado recentemente, o especialista relatou o caso de um investidor que julgava estar diversificado ao aplicar em três ETFs — IVV, VOO e SPY — sem perceber que todos replicavam o mesmo indicador, o S&P 500.
Segundo Viriato, os ETFs simplificam a etapa de seleção de ações individuais, mas mantêm a responsabilidade de determinar a divisão do patrimônio entre diferentes classes de ativos, setores, geografias e fatores de mercado. “O fundo reduziu o risco de escolher uma empresa errada, mas não eliminou a principal decisão: como distribuir a carteira”, escreveu.
O colunista citou o estudo clássico de Gary Brinson, Randolph Hood e Gilbert Beebower, que atribui à alocação de ativos a maior parte da variação de desempenho de uma carteira ao longo do tempo. Para ele, ao optar por quais segmentos do mercado participar e em que proporção, o investidor estabelece, na prática, uma estratégia ativa, ainda que acredite atuar de forma passiva.
Viriato ressalta que a popularização dos ETFs transferiu o foco das escolhas individuais de ações para a definição da estrutura de portfólio. Na avaliação do especialista, a ferramenta facilitou o acesso a diferentes mercados, mas tornou mais visível a importância do planejamento de alocação de recursos.
Imagem: redir.folha.com.br
O artigo conclui que, embora o investimento via ETF pareça passivo, a decisão de como distribuir recursos entre índices, setores e países continua sendo o fator determinante para o resultado de longo prazo dos investidores.