Rio de Janeiro – A economista-chefe do Banco BoCom BBM e professora do Departamento de Economia da PUC-Rio, Cecilia Machado, afirma que a corrupção impõe custos significativos ao desempenho econômico brasileiro, segundo análise divulgada nesta semana.
Machado destaca que, embora o problema costume ser encarado principalmente como desvio ético de agentes públicos, seus reflexos ultrapassam o Orçamento e afetam decisões de investimento, empreendedorismo e inovação.
Segundo a economista, a literatura econômica admite duas hipóteses: a corrupção poderia “lubrificar engrenagens” ao contornar entraves burocráticos, mas também distorceria incentivos ao favorecer empresas pouco produtivas e estimular a captura de renda. A evidência empírica, porém, indica que o impacto negativo prevalece, especialmente no contexto brasileiro.
Machado cita auditorias federais realizadas em municípios selecionados por sorteio, prática que gerou variações no nível local de corrupção sem relação direta com outros fatores de crescimento. Esse arranjo permitiu avaliar com maior precisão o custo econômico do problema.
Os resultados mostram que, após as fiscalizações, os municípios auditados registraram:
Para Machado, os dados sugerem que o combate à corrupção estimula o dinamismo produtivo em vez de prejudicá-lo.
Imagem: redir.folha.com.br
A economista esclarece que a prática funciona como um “imposto seletivo”: empresas politicamente conectadas tendem a ser protegidas, enquanto concorrentes mais eficientes, mas sem acesso ao poder público, enfrentam barreiras para entrar, operar ou crescer. Essa dinâmica provoca má alocação de capital e trabalho, reduzindo a produtividade agregada.
Em suas palavras, o efeito é comparável ao de um tributo elevado, porém sem transparência, previsibilidade ou retorno social. Quando as conexões, e não a produtividade, determinam quem investe e sobrevive, o desempenho econômico é comprometido.
Machado conclui que reduzir a corrupção é condição essencial para melhorar a eficiência e sustentar o crescimento do país.