EUA capturam Nicolás Maduro e assumem administração provisória da Venezuela; reconstrução econômica enfrenta obstáculos

Dificuldades e desafios2 dias atrás19 Visualizações

Caracas / Nova York, 4 jan. 2026 – Tropas de operações especiais dos Estados Unidos capturaram no fim de semana o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a esposa dele, em uma operação realizada na capital venezuelana. O casal foi levado para Nova York e indiciado por conspiração de narco-terrorismo e conspiração para importação de cocaína.

Washington assume controle temporário

Após a ação, o presidente norte-americano Donald Trump anunciou que os EUA administrarão o país sul-americano até que seja possível uma “transição segura, adequada e judiciosa”. “Não podemos correr o risco de que outra pessoa assuma a Venezuela sem ter os interesses dos venezuelanos em mente”, declarou o presidente a jornalistas em Mar-a-Lago, na Flórida.

Moeda desvalorizada em 469 %

Entre os desafios imediatos está o colapso da moeda local. O bolívar venezuelano perdeu 469 % de seu valor nos últimos 12 meses, segundo dados do Trading Economics. Para conter a instabilidade cambial, o professor visitante de História da Universidade de Austin, Robert Wright, sugeriu a adoção de um currency board que fixe o bolívar ao dólar. “Esse modelo costuma estabilizar a moeda”, disse.

A medida poderia reduzir o risco de novo episódio de hiperinflação. Em fevereiro de 2019, a taxa anual oficialmente registrada atingiu 344.509,50 %, recorde histórico, embora economistas afirmem que o índice real tenha sido ainda maior.

Raízes da crise

Especialistas atribuem o colapso econômico a décadas de políticas intervencionistas. Em 1976, o governo venezuelano nacionalizou todas as empresas de petróleo e gás, formando a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA). Entre as companhias afetadas estavam Mobil Oil, Exxon Corp. e Royal Dutch Shell.

O presidente Trump criticou a medida de 1976: “Construímos a indústria petrolífera venezuelana com talento, esforço e competência americanos, e o regime socialista a roubou de nós”, afirmou em coletiva no sábado.

Gestões Chávez e Maduro

O panorama agravou-se após a posse de Hugo Chávez, em 1999. Dois anos depois, uma lei habilitante permitiu ao governo rever contratos e intervir diretamente em empresas privadas. “Chávez rejeitou a economia de mercado”, observou Pete Earle, diretor do American Institute for Economic Research.

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Imagem: Simon Constable FOXBusiness via foxbusiness.com

Em 2002, uma greve geral levou Caracas a demitir mais de 18 mil funcionários, majoritariamente da PDVSA. A produção de petróleo, que alcançara 3,5 milhões de barris diários em dezembro de 1997, caiu para 1,1 milhão de barris recentemente, efeito da substituição de engenheiros por indicados políticos.

Crise humanitária

O impacto chegou às prateleiras dos supermercados. Segundo o Programa Mundial de Alimentos da ONU, 15 % da população – cerca de 4 milhões de pessoas – necessita de assistência alimentar urgente. Desde 2016 registram-se falta de produtos básicos, morte de animais em zoológicos por fome e, em 2017, furtos de animais para consumo.

Estudo de 2018 indicou perda média de mais de nove quilos (20 libras) entre os venezuelanos. No mesmo período, a malária voltou a aparecer em nove dos 23 estados do país.

Próximos passos

Para analistas, o objetivo imediato da administração provisória é evitar o caos e restabelecer a oferta de alimentos e serviços essenciais enquanto se planeja a transição política e econômica.

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