EUA criam resseguro de US$ 20 bilhões para manter tráfego de petroleiros no Golfo

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Os Estados Unidos estabelecerão um mecanismo de resseguro de até US$ 20 bilhões para cobrir perdas de navios que operam no Golfo Pérsico durante o conflito com o Irã, informou a Corporação Financeira Internacional de Desenvolvimento dos EUA (DFC) nesta sexta-feira (6).

A decisão atende a ordem do presidente Donald Trump, emitida na terça-feira (3), para que a DFC ofereça seguro contra riscos políticos e garantias financeiras voltadas ao comércio marítimo na região. O objetivo é destravar a circulação de petroleiros e navios de gás natural liquefeito no estreito de Hormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Segundo a DFC, a cobertura funcionará de forma contínua e, num primeiro momento, priorizará seguros de casco, maquinário e carga. O presidente-executivo da agência, Ben Black, afirmou que o programa “restaurará a confiança no comércio marítimo e estabilizará os mercados internacionais”.

O plano será desenvolvido em parceria com seguradoras norte-americanas preferenciais, cujos nomes não foram divulgados. A DFC e o Departamento do Tesouro dos EUA coordenam as próximas etapas com o Comando Central das Forças Armadas, responsável pelas operações militares no Oriente Médio.

Interrupção do tráfego e elevação dos prêmios

A passagem de embarcações pelo estreito de Hormuz foi drasticamente reduzida após ataques que danificaram diversos petroleiros. De acordo com a Lloyd’s Market Association, cerca de 500 navios de petróleo e gás estavam parados no Golfo e em áreas adjacentes até quinta-feira (4); menos de 50 conseguiram atravessar o estreito durante a semana. Com o risco crescente, os prêmios de seguro de guerra dispararam e parte das seguradoras suspendeu ou reduziu a cobertura.

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Imagem: redir.folha.com.br

Limites e questionamentos

Analistas do setor manifestaram dúvidas sobre a capacidade da DFC de amparar todo o risco envolvido. Relatório do JPMorgan estima que seriam necessários US$ 352 bilhões para cobrir plenamente 329 petroleiros na região, valor superior ao acesso de US$ 154 bilhões projetado para a agência. A DFC possui limite estatutário de responsabilidade total de US$ 205 bilhões até 2031, dos quais US$ 51 bilhões já estavam comprometidos no fim de 2025.

Um representante da DFC ouvido pelo “Financial Times” rebateu a avaliação do banco, argumentando que o programa se concentrará apenas em casco, maquinário e carga, e será aplicado apenas nos períodos em que as embarcações estiverem em zona de guerra. A agência prepara critérios de elegibilidade para definir que tipos de navios poderão solicitar o resseguro.

Marcus Baker, diretor global de marítimo, carga e logística da corretora Marsh, considera positivo o ingresso de mais capital no mercado de seguro de guerra, pois tende a reduzir preços para os armadores. Contudo, ele ressaltou que ainda será preciso verificar como o mecanismo será implementado na prática.

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