Um júri federal em São Francisco considerou o ex-engenheiro do Google Linwei Ding, também conhecido como Leon Ding, culpado por roubar segredos comerciais de inteligência artificial e praticar espionagem econômica em favor de empresas de tecnologia ligadas à China.
A decisão, anunciada na quinta-feira após 11 dias de julgamento na Corte Distrital dos Estados Unidos, abrangeu sete acusações de furto de segredos industriais e sete de espionagem econômica. Ding, de 38 anos, foi contratado pelo Google em 2019 para trabalhar nos data centers de supercomputação usados no treinamento e na implantação de modelos avançados de IA.
Promotores informaram que, a partir de maio de 2022, o engenheiro começou a copiar documentos internos confidenciais, totalizando mais de 1.000 arquivos e cerca de 14.000 páginas. Pelo menos 105 desses documentos formaram o núcleo do processo criminal. O material incluía detalhes sobre chips personalizados e sistemas de rede desenvolvidos pela companhia para acelerar cargas de trabalho de IA.
Segundo a acusação, Ding transferia os arquivos para contas pessoais em nuvem enquanto mascarava as atividades para driblar os sistemas de segurança da empresa.
A Justiça apontou que, enquanto ainda era funcionário do Google, Ding assumiu o cargo de diretor de tecnologia de uma empresa da China e fundou outra, ocultando essas ligações. Ele também teria enganado investidores ao afirmar que conseguiria reproduzir a infraestrutura de supercomputação em IA do Google.
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Os advogados do réu alegaram que os documentos nunca foram vendidos nem utilizados e acusaram a empresa de não proteger adequadamente suas informações. Apesar disso, o júri manteve todas as acusações.
O juiz distrital Vince Chhabria manteve Ding em liberdade até a sentença, prevista para 3 de fevereiro. Cada acusação de furto de segredos industriais pode resultar em até 10 anos de prisão, enquanto cada ato de espionagem econômica prevê pena máxima de 15 anos, além de multas que podem chegar a milhões de dólares.
O procurador federal Craig H. Missakian declarou que o veredito demonstra a disposição do governo em proteger o capital intelectual norte-americano. O agente especial do FBI em São Francisco, Sanjay Virmani, classificou o caso como uma questão de segurança nacional, ressaltando o risco de a tecnologia avançada de IA beneficiar a República Popular da China.