Eliminar todos os rastros digitais é uma meta considerada inalcançável por especialistas em segurança da informação. Vazamentos em massa, cadastros antigos, uso de cookies, anúncios personalizados e perfis esquecidos fazem com que dados pessoais — nome, telefone, documentos e endereço — circulem pela rede de forma praticamente permanente.
“Não temos controle sobre bases já expostas, que acabam negociadas por cibercriminosos em diferentes fóruns”, afirma Fabio Assolini, diretor da equipe global de pesquisa e análise da Kaspersky para a América Latina. Ele lembra que, no passado, informações roubadas chegavam a ser gravadas em CDs vendidos na região da Santa Ifigênia, em São Paulo.
Empresas como Delete Me e Incogni oferecem serviços pagos de remoção de dados, incluindo verificações na chamada dark web. Para Daniel Barbosa, pesquisador da Eset Brasil, essas companhias podem ajudar, mas não fazem milagres: “Elas executam o que o próprio usuário conseguiria fazer, só que demandaria muito trabalho”.
A seguir, confira ações recomendadas para reduzir a quantidade de informações pessoais disponíveis na internet.
1. Verifique vazamentos já ocorridos
Ferramentas como Have I Been Pwned indicam se um endereço de e-mail aparece em bases divulgadas. No Brasil, o Registrato, do Banco Central, mostra contas, cartões e chaves Pix abertas em nome do cidadão — acesso liberado a quem possui conta Gov.br de nível prata ou ouro. Buscas no Google e em outros mecanismos também ajudam a mapear dados indexados.
2. Troque senhas comprometidas
Ao menor indício de vazamento, altere imediatamente a senha afetada e quaisquer outras semelhantes. Especialistas recomendam gerenciadores de senhas, que geram combinações únicas e alertam sobre credenciais expostas. Assolini diz armazenar 445 senhas e reforça que, uma vez divulgada, aquela combinação “fica queimada para sempre”.
3. Peça a exclusão de informações a empresas
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) garante o direito de solicitar a exclusão ou correção de dados e de obter detalhes sobre o uso de cadastros. O pedido deve ser feito por escrito, e a companhia é obrigada a responder. No setor público, contudo, nem todas as bases podem ser apagadas.
Imagem: redir.folha.com.br
4. Resgate e encerre contas antigas
Um “garimpo digital” no e-mail pode revelar perfis esquecidos em lojas, aplicativos, redes sociais ou jogos. Contas antigas interessam a golpistas porque exibem informações que facilitam ataques direcionados. Encerrá-las reduz a superfície de ataque.
5. Use dados fictícios quando possível
Em serviços que não envolvem transações financeiras, especialistas sugerem não fornecer informações reais. Vale criar e-mails alternativos, inventar datas de nascimento, digitar números equivocados de CPF ou abreviar o nome para limitar a exposição.
6. Reduza o rastreamento na navegação
A aba anônima do navegador só impede que dados fiquem salvos no computador do usuário. Ferramentas como VPN e o navegador Tor ocultam parte do tráfego, mas não eliminam totalmente a identificação. Configurar o browser para apagar cookies ao fechar a janela ou instalar bloqueadores de rastreadores também ajuda, ainda que torne a navegação menos prática.
O ex-investigador do FBI Michael Bazzell compilou 228 recomendações para quem busca anonimato máximo. Entre elas estão usar sistemas operacionais baseados em Linux, instalar um firewall, configurar um smartphone do zero, bloquear câmeras e microfones em sites e desabilitar rastreamento por Wi-Fi e Bluetooth.
Apesar das medidas, especialistas ressaltam que o apagamento completo dos dados já espalhados pela internet permanece, na prática, impossível.