Quase nove em cada dez agentes de mercado projetam que o Federal Reserve reduzirá a taxa básica em 0,25 ponto percentual na reunião de setembro, levando o intervalo para 4,00%-4,25% ao ano, segundo a ferramenta CME FedWatch. A aposta ganhou força após o presidente do banco central norte-americano, Jerome Powell, sinalizar em Jackson Hole indícios de arrefecimento no emprego e na inflação.
Análises históricas indicam que, fora de períodos recessivos, cortes de juros tendem a impulsionar as ações dos Estados Unidos. Levantamento da Evercore ISI mostra que, de 1970 a 2024, o S&P 500 avançou em média 14% nos seis meses seguintes ao início de ciclos de afrouxamento monetário quando não havia recessão; em cenários recessivos, houve recuo médio de 4%.
Considerando o recorte de 1990 até 2023, dados compilados por Diego Correia, executivo de investimentos internacionais da XP, apontam retorno médio de 14% no índice no período de 12 meses após o primeiro corte.
Mauricio Garret, chefe da mesa de operações internacionais do Inter, afirma que taxas menores fortalecem o “animal spirits” da economia, estimulando a procura por ativos de maior risco por meio de crédito mais barato para consumo e investimento.
Especialistas indicam como potenciais beneficiários:
O setor financeiro, por sua vez, pode enfrentar compressão de spreads, reduzindo a rentabilidade até que o aumento de volume de crédito compense o efeito, pondera Garret. Ainda assim, bancos dos EUA estão bem capitalizados e podem se beneficiar da maior atividade.
Imagem: Pixabay via infomoney.com.br
Em sentido oposto, áreas consideradas defensivas, como consumo básico e saúde, costumam ter performance relativamente mais fraca em ambientes de maior apetite por risco, observa Maria Irene Jordão, estrategista global da XP.
Maria Irene acrescenta que não apenas o rumo dos juros influencia o mercado. Possíveis anúncios de tarifas ou mudanças regulatórias pelo governo de Donald Trump, além de incertezas sobre o impacto de políticas comerciais agressivas, podem alterar o cenário econômico e a trajetória dos Fed Funds. Ela também menciona a chance de intervenções políticas sobre o banco central e preocupações fiscais, fatores que podem pressionar os juros de longo prazo.
Caio Athié Teruel, gestor patrimonial na Cimo Family Office, defende manter exposição estrutural ao exterior, destacando que o S&P 500 reflete crescimento global e liderança em inovação. Correia, da XP, ressalta que investir fora do país amplia diversificação geográfica, oferece proteção cambial e acesso a temas indisponíveis no mercado brasileiro, recomendando adequar a posição ao perfil de risco de cada investidor.
Com o histórico de desempenho positivo em ciclos de corte de juros e a expectativa de redução em setembro, o comportamento do mercado acionário norte-americano volta ao centro das atenções, enquanto analistas monitoram tanto os indicadores econômicos quanto o ambiente político nos Estados Unidos.