Nova York, 14 fev. — A empresa norte-americana de acessórios para armas Mean LLC, conhecida comercialmente como Mean Arms e sediada na Geórgia, concordou em pagar US$ 1,75 milhão em indenizações às famílias das vítimas, feridos e sobreviventes traumatizados pelo ataque a um supermercado em Buffalo, ocorrido em 14 de maio de 2022.
O acordo, anunciado nesta quarta-feira pela procuradora-geral de Nova York, Letitia James, também proíbe a companhia de comercializar no estado o dispositivo “MA Lock”, um bloqueio de carregador cuja remoção possibilita o uso de pentes de alta capacidade.
Além do pagamento, a Mean Arms deverá:
A ação civil foi movida pelo gabinete da procuradora-geral e por familiares das vítimas. Segundo a acusação, a Mean Arms promovia o MA Lock como forma de tornar fuzis compatíveis com a legislação nova-iorquina, embora o dispositivo pudesse ser retirado com facilidade. Em janeiro de 2022, o autor do ataque comprou um fuzil semiautomático equipado com o bloqueio e um carregador de 10 munições. Seguindo instruções do fabricante, removeu o MA Lock e utilizou carregadores destacáveis de 30 tiros durante o atentado.
No ataque a tiros ao supermercado Tops Friendly Market, em Buffalo, o então estudante Payton Gendron, de 18 anos, matou dez pessoas negras e feriu outras três. O crime, transmitido ao vivo pela internet, foi classificado pelas autoridades como motivado por ódio racial e planejado com antecedência. Em 2023, Gendron foi condenado à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
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“Perdemos dez vidas preciosas em um ato horrendo de violência e ódio. Hoje, justiça significa responsabilização”, declarou Letitia James ao anunciar o acerto. Para Andrew Debbins, advogado que representa diversas famílias, “nenhum valor em dinheiro compensa o horror do dia 14 de maio, mas o acordo representa uma vitória na luta contra o ódio e quem o viabiliza”.
Com o entendimento judicial, encerra-se o processo contra a Mean Arms relacionado ao uso do MA Lock na tragédia de Buffalo.