FIDCs exigem atenção redobrada: especialistas apontam passos para investir com segurança

Estratégias de investimentoontem15 Visualizações

Investidores de varejo que pretendem aplicar em Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) devem adotar cuidados específicos para evitar surpresas, afirmam analistas do mercado.

Entender o risco é o primeiro passo

O consultor George Wachsmann ressalta que, apesar de se enquadrarem na renda fixa, os FIDCs apresentam riscos superiores aos de aplicações tradicionais. “Não se pode confundir a aparente estabilidade de cota com ausência de risco”, alerta. O especialista recomenda avaliar o tipo de crédito comprado pelo fundo e verificar quais classes de cotas compõem a carteira. As cotas sênior são as mais protegidas contra inadimplência; as mezanino oferecem proteção intermediária; e as subordinadas, a menor.

Liquidez pode virar armadilha

Wachsmann também aponta o descompasso entre prazos dos ativos e o período de resgate como fonte potencial de problemas. Caso os recebíveis tenham vencimento mais longo que a janela de resgate — comum em fundos que prometem liquidez em 20 ou 30 dias — o cotista corre o risco de ficar sem saída em momentos de stress.

Riscos menos visíveis

A autenticidade dos créditos é outro fator crucial. Um FIDC lastreado em duplicatas de fornecedores da Petrobras, por exemplo, carrega baixo risco de inadimplência da estatal, mas fraude em duplicatas falsas pode gerar perdas relevantes. Além disso, créditos não performados — em que serviço ou produto ainda não foi entregue — ampliam a exposição.

Originação, concentração e proteção

Angelo Belitardo, analista da Hike Capital, recomenda tratar FIDCs como crédito estruturado. O investidor deve investigar quem origina e quem paga os recebíveis, grau de pulverização e setor econômico envolvido. Fundos multicedentes e multissacados tendem a oferecer risco diferente dos concentrados em poucos devedores, mesmo com rendimento similar.

Belitardo também enfatiza a importância da subordinação entre cotas, existência de garantias adicionais (overcollateral), gatilhos de performance e regras de amortização. Esses mecanismos definem quem absorverá perdas em caso de inadimplência.

Gestão faz diferença

Processos de análise de crédito, cobrança, recompra de recebíveis e monitoramento de inadimplência devem ser observados de perto, diz Belitardo. Estruturas pouco testadas ou com histórico questionável elevam substancialmente o risco.

Indicadores operacionais

Taxas de inadimplência, atrasos, provisões para devedores duvidosos, recompras e concentração por cedente e sacado precisam ser acompanhadas regularmente. A padronização do informe mensal exigida pela CVM facilita esse acompanhamento, mas ignorar esses dados equivale a “investir às cegas”, reforça o analista.

Retorno fora da curva exige desconfiança

Rentabilidades muito acima da média geralmente decorrem de maior concentração, pior qualidade de crédito ou estrutura frágil. Com a perspectiva de spreads mais comprimidos até 2026, a distância entre fundos bem estruturados e aqueles que oferecem retorno elevado tende a aumentar.

Entrada gradual para iniciantes

Para a analista Clara Sodré, da XP Investimentos, a melhor porta de entrada para o investidor de varejo é um fundo de cotas de FIDCs (FIC FIDC), em que um gestor seleciona ativamente as carteiras. Ela recomenda horizonte de dois a três anos, diversificação por setor e atenção redobrada à subordinação das cotas. “Mesmo cotas sênior podem sofrer perdas se a calibração for baixa”, afirma.

Ao seguir essas orientações — avaliar risco de crédito, liquidez, estrutura de proteção e qualidade da gestão — o investidor pode se beneficiar das vantagens dos FIDCs, como ausência de come-cotas e descorrelação com mercados tradicionais.

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