Fluxo estrangeiro na Bolsa segue fraqueza global do dólar e, segundo analistas, não tem prazo para arrefecer

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O expressivo ingresso de recursos externos na B3 observado em janeiro não tem data para se esgotar, avaliam profissionais do mercado financeiro. Especialistas ouvidos pela reportagem ligam o movimento a um ciclo prolongado de desvalorização do dólar iniciado após um período de alta que se estendeu de 2011 a 2024.

Ciclo cambial

De acordo com Gina Baccelli, estrategista sênior do Itaú, o dólar passou quase 15 anos de valorização, beneficiando portfólios fortemente expostos aos Estados Unidos. O fim desse ciclo, afirma, incentiva a diversificação para outros mercados.

Entre os fatores que sustentaram o fortalecimento da moeda norte-americana estiveram crescimento econômico robusto, desempenho superior das ações em Wall Street e o status do dólar como principal reserva de valor global. Durante a pandemia, a busca por segurança reforçou essa tendência, assim como o aumento acelerado de juros pelo Federal Reserve.

Pontos de inflexão

Paralelamente, decisões políticas contribuíram para questionar a dominância cambial dos EUA. A exclusão da Rússia do sistema Swift em 2022 e o congelamento de reservas internacionais motivaram diversos bancos centrais a ampliar a cesta de moedas de reserva, observa Luis Ferreira, diretor de investimentos do EFG Private Wealth Management.

A eleição de Donald Trump para um segundo mandato é vista como catalisadora desse realinhamento. Profissionais do mercado lembram que políticas protecionistas e tensões comerciais prejudicaram a percepção de estabilidade institucional norte-americana, reforçando o movimento de saída de recursos.

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Imagem: redir.folha.com.br

A reavaliação de portfólios leva investidores a perguntar quais mercados oferecem juros atraentes, valuations baixos, menor endividamento e exposição a commodities. Para Ferreira, emergentes — entre eles o Brasil — reúnem essas características, sobretudo pelo nível ainda elevado da Selic e pelos preços considerados descontados de muitas ações locais.

Embora o país responda por somente 4% do MSCI Emerging Markets, esse percentual representa bilhões de dólares quando grandes gestores globais remanejam seus ativos.

Riscos no horizonte

Analistas ponderam que a tendência de entrada de capital pode sofrer interrupções pontuais. O principal teste em 2026 será a eleição presidencial de outubro e, mais que o nome do vencedor, a trajetória da política fiscal a partir de 2027.

No curto prazo, o ciclo de cortes da Selic previsto para começar em março tende a atrair novamente o investidor doméstico para a renda variável. Para o estrangeiro, a redução de juros é vista como fator positivo, pois sinaliza melhora da atividade econômica e potencial de ganhos corporativos. Segundo Baccelli, esses participantes concentram compras em papéis de alta liquidez, como Petrobras e Vale, mas podem ampliar posições em empresas cíclicas conforme o custo do crédito diminui.

Por ora, profissionais do setor não estimam quando o fluxo estrangeiro perderá força. A expectativa é de que a diversificação de carteiras, impulsionada pela fraqueza do dólar, permaneça no radar dos gestores nos próximos anos.

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