Fundos de recebíveis ganham tração no início de 2024 e registram captações bilionárias

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Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) iniciaram 2024 sob forte demanda. Depois de captar R$ 90,7 bilhões em 2023, 9,5% acima do ano anterior, o segmento voltou a atrair investidores em busca de remuneração atrelada ao CDI acrescida de prêmio e suprir a necessidade de capital de giro das empresas em um cenário econômico aquecido.

Listo levanta R$ 1 bilhão

Principal termômetro desse apetite foi a emissão de R$ 1 bilhão anunciada em 12 de janeiro pelo FIDC da Listo, fintech de crédito voltada ao setor automotivo. O montante é mais que o dobro do maior fundo já estruturado pela companhia (R$ 400 milhões) e representa um terço dos R$ 3 bilhões captados desde a fundação, em 2014.

Segundo o CEO e fundador Olavo Cabral Netto, que tocou o sino de abertura da B3 para marcar a operação, R$ 700 milhões são recursos novos e R$ 300 milhões vêm de investidores que alongaram prazos. O perfil de cotistas ficou mais concentrado: seis grandes investidores institucionais, ante cerca de 30 em emissões anteriores.

O fundo possui três classes de cotas; a série sênior rende CDI + 0,70% ao ano, enquanto as cotas mezanino oferecem retorno maior, compensando o risco adicional. Cabral Netto avalia que a provável queda da Selic ampliará a geração de recebíveis pelas empresas e reforçará a procura por FIDCs com prazos entre 18 e 24 meses.

Mercado abre janela incomum em janeiro

Janeiro costuma ser mês morno para emissões, mas 2024 começou atípico, observa Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima. Entre os fatores, ele cita:

  • rentabilidade menor de outros títulos de renda fixa, como debêntures isentas;
  • captações expressivas de fundos nos últimos meses que agora precisam ser alocadas;
  • pagamento de dividendos extraordinários no fim de 2023 e início de 2024;
  • retorno de recursos do fundo Master ao mercado;
  • tributação mínima de 10% sobre dividendos, que incentiva aplicações sujeitas a IR, caso dos FIDCs sem come-cotas quando obedecem a requisitos regulatórios.

Nos últimos quatro anos, o volume emitido em FIDCs praticamente dobrou, de R$ 48,7 bilhões em 2022 para R$ 90,7 bilhões em 2023. Gestoras tradicionais de renda fixa passaram a estruturar carteiras próprias em busca de diversificação e vantagens tributárias.

Ouro Preto prepara nova oferta

A Ouro Preto Investimentos planeja captar ao menos R$ 500 milhões em FIDCs até março, informa o sócio-gestor Leandro Turaça. Ele relata crescimento do interesse de grandes assets e gestoras multimercado, além de maior busca por ativos menos sensíveis ao calendário eleitoral.

Dados da casa indicam expansão de 25,5% no número de carteiras de FIDCs, que somam 3.859, enquanto o conjunto dos fundos cresceu 4,9%. O patrimônio desses veículos avançou 15%, para R$ 734 bilhões, e pode superar R$ 1 trilhão entre abril e maio, projeta Turaça.

Com a retração do crédito bancário após o ciclo de alta de juros, empresas recorreram mais aos recebíveis, elevando a oferta e permitindo maior seletividade. As carteiras costumam render CDI + 3% a 4% ao ano, patamar ainda atrativo caso a Selic recue moderadamente.

A gestora administra R$ 15 bilhões, dos quais R$ 11 bilhões em FIDCs lastreados em duplicatas, faturas de cartão, precatórios e, futuramente, consignado privado. A expectativa é de crescimento de cerca de 20% no ano, combinando rendimento próximo de 13% e captação adicional de 4%.

Porta de entrada para pequenas empresas

Além de remunerar investidores, os FIDCs funcionam como fonte de financiamento para pequenas e médias companhias, que cedem recebíveis de grandes pagadores e reduzem custos ao transferir o risco para os devedores. O movimento de “desbancarização” ganhou força após o aperto monetário e deve seguir com a gradual queda da Selic.

Ainda restritos, varejistas devem acessar o produto por meio de fundos que compram cotas seniores, mas a forte demanda de investidores qualificados tem absorvido a maior parte da oferta disponível.

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