O mês de abril começa com um novo ranking de fundos imobiliários preferidos pelas principais casas de análise. Sete gestoras – BB Investimentos, BTG Pactual, Empiricus, Genial Investimentos, Itaú BBA, XP Investimentos e Terra Investimentos – selecionaram carteiras voltadas principalmente a shoppings centers, galpões logísticos e certificados de recebíveis (CRIs).
Em março, o Ifix, índice que reúne os fundos imobiliários com maior negociação na B3, recuou 1,06%, interrompendo uma sequência de sete altas mensais. Mesmo com a queda, o indicador acumula alta de 2,52% em 2024 e de 16,83% nos últimos 12 meses. A redução foi atribuída à tensão no Oriente Médio, que elevou a volatilidade dos juros diante da possibilidade de pressão sobre a inflação via preços do petróleo.
Para André Oliveira e Victor Penna, do BB Investimentos, o cenário de curto prazo exige cautela em fundos de “tijolo”, mas favorece os de recebíveis. Já o Itaú BBA, representado por Larissa Gatti Nappo e Fausto Menezes, mantém predileção por ativos financeiros, calculando uma Selic de 13% ao ano em dezembro. A Empiricus, em relatório assinado por Caio Nabuco de Araújo, reforça a atratividade dos títulos indexados ao IPCA, projetando rendimentos beneficiados por eventual repique inflacionário.
A lista a seguir mostra os fundos que concentraram o maior número de recomendações e seu desempenho em março:
• HSI Malls (HSML11) – 5 indicações | +1,1% em março
• Bresco Logística (BRCO11) – 4 indicações | –6,1%
• BTG Pactual Logística (BTLG11) – 3 indicações | +0,4%
• Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11) – 3 indicações | –0,4%
• Mauá Capital Recebíveis (MCCI11) – 3 indicações | –1,1%
• RBR High Grade (RBRR11) – 3 indicações | –4,5%
• RBR Plus Multiestratégia (RBRX11) – 3 indicações | +1,2%
• Vinci Logística (VILG11) – 3 indicações | –3,5%
HSI Malls (HSML11) – Portfólio de 14 shoppings com taxa de ocupação de 97,2% em janeiro de 2026. A inadimplência líquida ficou em 6,4%, reflexo de sazonalidade. O guidance de distribuição para o primeiro semestre varia de R$ 0,70 a R$ 0,75 por cota.
Bresco Logística (BRCO11) – 591 mil m² de área bruta locável (ABL), 81% da receita proveniente de imóveis classe A+ e 51% da ABL em São Paulo. O último dividendo de R$ 0,92 por cota representa yield anualizado de 9,9%, segundo o Itaú BBA.
BTG Pactual Logística (BTLG11) – 34 imóveis, dois em processo de venda, somando 1,4 milhão de m². A vacância financeira é de 2,9%, concentrada em três ativos. Dividend yield anualizado de 9,3%, conforme a XP Investimentos.
Imagem: infomoney.com.br
Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11) – Forte presença em CRIs, alta liquidez e estratégia de carregamento dos títulos até o vencimento. O fundo participa com pelo menos 50% de cada operação da carteira, mantendo controle de garantias.
Mauá Capital Recebíveis (MCCI11) – Carteira de crédito com devedores considerados de bom risco, exposição a setores defensivos e garantias em regiões resilientes. Apresenta liquidez elevada, segundo o BTG Pactual.
RBR High Grade (RBRR11) – 110 CRIs, 99% atrelados ao IPCA (+9,2% a.a.) e 1% ao IGP-M (+8,6% a.a.). Negocia com desconto de 8,4% sobre o valor patrimonial, com possibilidade de melhora no dividend yield, aponta a XP.
RBR Plus Multiestratégia (RBRX11) – Alocação diversificada: 58,8% em fundos imobiliários, 38,8% em CRIs e o restante em SPEs, imóveis e caixa. É negociado com desconto de 12% sobre o valor patrimonial e entrega yield de 12,4% ao ano, de acordo com a Genial.
Vinci Logística (VILG11) – Portfólio espalhado por várias regiões, com maior peso em Extrema (MG). Locatários pulverizados, mas com grande exposição ao e-commerce. O BTG Pactual ressalta a liquidez do fundo no mercado secundário.
As indicações refletem a busca por combinações de renda elevada e potencial de valorização em um ambiente de juros ainda altos, mas com expectativa de trajetória descendente ao longo dos próximos trimestres.