São Paulo – Nove fundos imobiliários lideram as indicações de nove casas de análise para o mês de janeiro, com destaque para produtos lastreados em recebíveis e galpões logísticos. As sugestões partem de XP Investimentos, Terra Investimentos, Santander Brasil, Itaú BBA, BB Investimentos, Empíricus Research, BTG Pactual, Monte Bravo e Genial Investimentos.
Os fundos de renda fixa imobiliária aparecem como maioria diante da projeção de que o recuo da Selic em 2026 seja limitado, mantendo a atratividade das carteiras indexadas a juros. FIIs voltados a logística, a multiestratégia e a shopping centers completam o grupo preferido.
O índice Ifix encerrou 2025 com avanço de 3,14% em dezembro e de 21,1% no acumulado do ano, recuperando parte da perda de 5,9% registrada em 2024. A expectativa dos analistas é de um cenário ainda favorável em 2026, apoiado pelo início do ciclo de queda dos juros e por fundamentos sólidos em vários segmentos do setor.
Veja a lista dos fundos com maior número de recomendações e o rendimento de dezembro:
Bresco Logística (BRCO11) – 5 indicações | Logística | +1,50%
Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11) – 5 indicações | Recebíveis | +2,12%
TRX Real Estate (TRXF11) – 5 indicações | Renda Urbana | –2,36%
BTG Logística (BTLG11) – 4 indicações | Logística | –0,20%
Kinea Hedge Fund (KNHF11) – 4 indicações | Multiestratégia | +4,47%
Kinea Securities (KNSC11) – 4 indicações | Recebíveis | +2,90%
RBR High Grade (RBRR11) – 4 indicações | Recebíveis | +4,90%
RBR Plus (RBRX11) – 4 indicações | Hedge Fund | +7,93%
XP Malls (XPML11) – 4 indicações | Shoppings | +1,87%
Itaú BBA afirma que a procura por galpões permanece aquecida, shopping centers tendem a se beneficiar do aumento do consumo provocado pela retração dos juros, e lajes corporativas mostram sinais consistentes de recuperação. O banco, contudo, alerta para volatilidade de curto prazo em razão das incertezas políticas e fiscais.
Imagem: infomoney.com.br
Empíricus Research vê na Lei 15.270, que passa a tributar lucros e dividendos na fonte, um impulso adicional aos FIIs, já que esses veículos seguem isentos. A casa lembra que parte do movimento de queda da Selic já foi antecipada em 2025, mas cita efeitos indiretos positivos, como menor atratividade dos títulos de renda fixa e redução do custo de capital.
BB Investimentos mantém visão otimista, sobretudo para fundos de tijolo, e recomenda aumentar a exposição gradualmente, evitando escolhas baseadas apenas em dividend yield ou desconto sobre valor patrimonial.
Bresco Logística (BRCO11) detém 33 empreendimentos, mais de 1,3 milhão de m², e 90% da área locável no estado de São Paulo. O Itaú BBA ressalta a expansão do portfólio e a diversificação de inquilinos, mas monitora compromisso de R$ 599 milhões em aquisições e a leve alavancagem.
Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11) tem 87,7% do patrimônio em 83 operações de CRIs, 5,8% em LCIs e 6,5% em caixa, quase 100% atrelado ao CDI. A XP calcula dividend yield anualizado de 14,7%, com menor volatilidade diante dos pares.
TRX Real Estate (TRXF11) administra quase R$ 3,2 bilhões em 74 imóveis distribuídos em 12 estados; 45% estão em São Paulo. Assaí, Grupo Mateus e Pão de Açúcar respondem por 60% das receitas. O fundo comprou 70% de projeto do Hospital Albert Einstein, com 88% das obras concluídas.
BTG Logística (BTLG11) soma patrimônio de R$ 5 bilhões e mais de 400 mil cotistas. O foco é o raio de 30 quilômetros de São Paulo. Entre os pontos positivos estão a qualidade dos ativos; a obrigação de pagamento de R$ 599 milhões em imóveis é observada como fator de atenção.
Kinea Hedge Fund (KNHF11) mantém carteira híbrida de R$ 1,9 bilhão, com 61,4% em CRIs, 19,7% em cotas de FIIs e ações do setor, e 31% em imóveis. O fundo possui duas lajes corporativas em São Paulo, 25% do Uberaba Shopping e unidades do Cidade Matarazzo.
Kinea Securities (KNSC11) aloca 104% do patrimônio em CRIs – alavancagem via operações compromissadas – possibilitando flexibilidade de investimento. A XP projeta dividendos equivalentes a 12,4% ao ano.
RBR High Grade (RBRR11) exibe carteira diversificada com garantias robustas em regiões premium, segundo o BTG Pactual, que estima yield anualizado de 11%.
RBR Plus (RBRX11) aplica em cotas de FIIs, crédito, ações e situações especiais. Após incorporar o RBRF11, tornou-se o terceiro maior hedge fund imobiliário listado, com R$ 1,4 bilhão. A XP calcula dividend yield de 12,9% ao ano.
XP Malls (XPML11) é destacado pelo Santander Brasil pela reciclagem de portfólio voltado a públicos de média e alta renda. O banco indica que as cotas negociavam, no fim de 2025, com desconto de 1% sobre o valor patrimonial e prevê dividendos de 10,2% em 12 meses.
Mesmo com a Selic no maior nível em duas décadas, as casas de análise avaliam que a relação risco-retorno dos fundos imobiliários segue atrativa em comparação a outras classes de ativos.