Os fundos multimercados registraram leve melhora nesta semana, impulsionados pela trégua temporária nos temores de guerra entre Estados Unidos e Irã. O Índice de Hedge Funds da Anbima (IHFA), que acompanha 277 carteiras, avançou 0,60% na segunda-feira, 23 de março, e diminuiu a perda no mês para –3,7%.
No acumulado de 2020, o IHFA mostra recuo de 0,23%, resultado melhor que o observado na sexta-feira anterior (–0,83%), mas distante do ganho de 4,0% apurado em 26 de fevereiro. Em 12 meses, o indicador segue positivo em 13,98%, contra 14,85% do CDI.
A recuperação parcial refletiu a alta do Ibovespa, a queda do dólar frente ao real, o avanço das bolsas internacionais e a redução dos juros de longo prazo, que valorizou títulos do Tesouro (NTN-B) e debêntures corporativas presentes em várias carteiras multimercado.
Levantamento da Economática para o InfoMoney, considerando 365 fundos multimercados com patrimônio superior a R$ 500 milhões, indica que apenas 156 não perderam dinheiro em março até o dia 24. A maior parte dos vencedores está em estratégias de crédito privado, com ganhos de até 3% no mês. Já 209 fundos acumulam quedas que chegam a 15%.
Mesmo com o choque recente, 276 dessas carteiras ainda exibem rendimento positivo no ano. As maiores quedas concentram-se em produtos mais arriscados, com volatilidade acima de 10% ao ano – categorias que costumam sofrer fortes oscilações, mas também se recuperar mais rapidamente quando o mercado melhora.
Para Sérgio Samuel dos Santos, economista e especialista em fundos e previdência do Sistema Ailos, é prematuro apontar uma reversão definitiva para a classe. Ele avalia que a volatilidade deve permanecer elevada no curto prazo, pois os ativos de risco seguem sensíveis a notícias sobre o conflito no Oriente Médio.
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Segundo Santos, a trajetória de cada fundo dependerá da clareza das tendências econômicas e da habilidade do gestor em ajustar posições. Estratégias com alocação rígida, como fundos balanceados, podem demorar mais a reagir, enquanto abordagens táticas – arbitragem ou long & short – tendem a mostrar menor volatilidade e recuperação mais ágil.
A exposição ao risco determina tanto o tamanho das perdas em períodos adversos quanto o potencial de retomada em cenários favoráveis. Fundos long & short neutros, por exemplo, costumam oscilar menos porque buscam retorno na diferença entre ativos. Já fundos macro dependem do sucesso na identificação de tendências e do horizonte de investimento adotado.
Na visão de Santos, conforme a incerteza diminua, os gestores terão melhores condições de capturar oportunidades. Ele lembra, contudo, que o investidor deve considerar regras do fundo, perfil de risco, uso de alavancagem e correlação com o restante do portfólio antes de decidir aplicar ou resgatar recursos.