Os fundos de investimento no Brasil receberam aporte líquido de R$ 75,3 bilhões em janeiro, após registrarem resgates de R$ 76,3 bilhões em dezembro, informou a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
O destaque do mês ficou com os fundos multimercados, que somaram entradas de R$ 17,3 bilhões — o maior volume mensal desde, pelo menos, o início de 2024. Essa classe havia encerrado 2025 com saída líquida de R$ 58,9 bilhões.
O Índice de Hedge Funds Anbima (IHFA), referência para os multimercados, avançou 15,3% em 2025, superando o CDI de 14,3%. Em janeiro, o indicador subiu 2,23%, ante alta de 1,22% do CDI. A expectativa é de que o ciclo de cortes da taxa Selic, previsto para começar em março, favoreça a captação desses produtos diante da queda no rendimento da renda fixa tradicional.
Os fundos de renda fixa lideraram as aplicações em janeiro, com R$ 57,4 bilhões. Também registraram entradas os ETFs (R$ 3,4 bilhões), os fundos de previdência (R$ 1,1 bilhão) e os Fundos de Investimento em Participações (FIPs), com R$ 925 milhões.
Imagem: A.J. Rich via valorinveste.globo.com
Na contramão, os fundos de ações tiveram resgates de R$ 2,5 bilhões, mesmo com o Ibovespa acumulando alta de 15% no ano e batendo sucessivas máximas. Já os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) sofreram saídas de R$ 2,6 bilhões.
Analistas veem 2026 como um ano de cortes de juros, mas com taxas ainda atrativas para a renda fixa. Também se espera elevada volatilidade nos mercados devido à eleição presidencial de outubro. Nesse ambiente, a recomendação de especialistas tem sido que os investidores avaliem seu perfil de risco antes de escolher entre estratégias de renda fixa, multimercados ou ações.