Os fundos multimercados começaram 2026 com forte recuperação e já exibem o segundo melhor resultado para um primeiro trimestre desde o início dos registros históricos. O desempenho recoloca a categoria no radar dos investidores, após um período marcado por resgates, rentabilidade fraca e maior procura por aplicações conservadoras.
De acordo com dados apresentados no programa Espresso Outliers, da XP, algumas carteiras entregam entre 160% e 180% do CDI no curto prazo. Mesmo assim, a analista de fundos Clara Sodré recomenda cautela na leitura dos números. “O retorno chama atenção, mas precisa ser analisado em um horizonte maior”, afirmou.
Três fatores explicam a fase difícil vivida pela classe até 2025:
Com a virada de 2026, a maior volatilidade e a mudança de ciclo abriram espaço para táticas mais flexíveis, característica central dos multimercados, pontuou Sodré.
Apesar da recuperação, os resultados não se distribuíram de forma homogênea. Fundos no primeiro quartil renderam cerca de CDI +3,5%, enquanto os piores chegaram a CDI –3,4%. A disparidade reforça a necessidade de analisar estratégia e qualidade de gestão antes de investir.
Imagem: infomoney.com.br
Grande parte da performance recente vem do chamado “Kit Brasil”, combinação de posições em juros, câmbio e Bolsa local. A valorização do real ajudou a aliviar pressões inflacionárias, favorecendo as apostas dos gestores.
No exterior, tensões geopolíticas no Oriente Médio elevaram o preço do petróleo e fortaleceram o dólar, afetando curvas de juros e resultados de curto prazo. Ao mesmo tempo, a divergência entre ciclos monetários mundo afora cria oportunidades de arbitragem em taxas, moedas e ativos de risco.
Sodré concluiu que os multimercados mantêm papel relevante nas carteiras, desde que a alocação seja feita de forma seletiva e com foco no longo prazo.