Os países do G7 analisam a possibilidade de liberar reservas estratégicas de petróleo diante da escalada dos preços do crude provocada pelo conflito no Oriente Médio. A medida busca aliviar o peso sobre os consumidores, já que a média nacional do galão de gasolina nos Estados Unidos subiu de US$ 3 na semana passada para US$ 3,48 nesta segunda-feira, segundo a AAA.
Futuros de petróleo avançaram mais de 48% em um mês, saindo da faixa de US$ 60-70 em fevereiro para superar US$ 95 nesta segunda, após tocarem brevemente US$ 115. O ministro francês da Economia, Roland Lescure, afirmou após reunião dos ministros de Finanças do G7 que ainda não há decisão sobre o uso das reservas, pois “não existem problemas atuais de abastecimento” nos EUA ou na Europa. Mesmo assim, o grupo concordou em utilizar “quaisquer ferramentas necessárias” para estabilizar o mercado.
Phil Flynn, analista sênior do Price Futures Group, disse que a simples menção a uma liberação já foi suficiente para derrubar as cotações máximas, reduzindo o temor de escassez. Ele ponderou, porém, que o mercado precisa confiar na segurança do transporte desse petróleo até as refinarias.
Para Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates, os países do G7 serão “forçados” a agir nas próximas duas semanas caso o impasse persista. O impacto dependirá de o bloqueio de facto no Estreito de Ormuz continuar afetando o carregamento de petroleiros ou se houver novos danos a infraestruturas.
Grandes economias começaram a formar estoques emergenciais após a crise do petróleo dos anos 1970. Nos Estados Unidos, o Strategic Petroleum Reserve (SPR) funciona como amortecedor contra choques que ameacem a economia ou a segurança nacional.
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Estudo do Departamento do Tesouro norte-americano, publicado em 2022, avaliou o efeito da liberação de 180 milhões de barris do SPR, feita ao longo de seis meses após a invasão da Ucrânia pela Rússia. O relatório concluiu que a iniciativa baixou o preço da gasolina entre US$ 0,13 e US$ 0,31 por galão. Quando combinada com a liberação adicional de 60 milhões de barris por parceiros da Agência Internacional de Energia (AIE), a redução chegou a US$ 0,17-0,42.
Pesquisa de 2017 dos economistas Richard Newell e Brian Priest chegou a resultados semelhantes: corte de US$ 0,33 por galão em uma ação apenas dos EUA e de US$ 0,38 quando coordenada com a AIE.
Enquanto os líderes avaliam o próximo passo, os preços seguem voláteis, influenciados pelo risco de novos ataques a petroleiros no Estreito de Ormuz e pela incerteza em torno do fornecimento global.