São Paulo – A adoção acelerada da inteligência artificial (IA) deve resultar em ganho de produtividade, e não em cortes generalizados de postos de trabalho, avalia André Raduan, fundador e gestor da Genoa Capital. A análise foi apresentada no programa Stock Pickers, conduzido por Lucas Collazo.
O gestor reconhece que o mercado de trabalho dos Estados Unidos já sinaliza desaceleração nas contratações, movimento que pode refletir tanto o ajuste de equipes infladas no pós-pandemia quanto os primeiros efeitos da automação. “Ainda não estamos vendo demissões em massa”, afirmou.
Segundo Raduan, a substituição de mão de obra será desigual. O sistema financeiro aparece entre os segmentos mais suscetíveis a uma automação rápida, enquanto o setor de serviços tende a passar por uma transição mais lenta. A expectativa é de que, ao final do ciclo, a tecnologia amplie a capacidade produtiva de cada trabalhador em vez de eliminá-lo.
Se o desemprego aumentar de forma relevante por causa da IA, a primeira resposta dos investidores provavelmente será negativa, com queda das bolsas. Raduan argumenta, porém, que os bancos centrais costumam atribuir peso maior ao emprego do que à inflação e, diante de um choque laboral, tenderiam a reduzir juros. Países com espaço para cortes, como os Estados Unidos, poderiam reaquecer a economia com maior eficiência; já a Europa, onde as taxas estão mais baixas, teria margem menor.
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Nesse contexto, o gestor considera mais atraente operar na curva de juros do que em renda variável: “A simetria é melhor nos juros”, resumiu.
Para Raduan, o caminho da adoção da IA será “lento e gradual”, caracterizado por menor ritmo de contratações em vez de dispensas em grande escala. “Teremos uma readaptação setorial, não uma ruptura abrupta”, disse. No fim do processo, acrescenta, o resultado deve ser um aumento da produtividade global.