O calendário eleitoral de 2026 voltou a colocar a volatilidade no centro do debate entre gestores de recursos. Durante a segunda edição da Premiação Outliers InfoMoney, profissionais de diferentes casas detalharam estratégias que privilegiam cautela, análise rigorosa e portfólios capazes de atravessar cenários distintos.
Ian Cao, sócio-fundador da Gama Investimentos e parceiro da Oaktree no Brasil, afirmou que o desempenho no longo prazo está mais relacionado à qualidade da análise de crédito e à diversificação do que a previsões sobre política econômica. Citando a filosofia de Howard Marks, fundador da Oaktree, Cao resumiu a diretriz principal da gestora: ficar longe de problemas por meio de diligência rigorosa na seleção de ativos.
Para Bernardo Feijó, sócio da Kapitalo Investimentos, a economia internacional continua oferecendo suporte aos ativos de risco, com expectativa de cortes de juros em grandes potências. Mesmo assim, o executivo vê a disputa eleitoral brasileira como fator de incerteza até o fim do ano. A Kapitalo reduziu algumas apostas, entende que boa parte do afrouxamento monetário já está precificada e mantém posições em juros em diferentes geografias de forma mais tática.
César Paiva, sócio-fundador da Real Investor, classificou a eleição como “muito dividida” e disse preferir um posicionamento equilibrado. A carteira da gestora mistura companhias voltadas ao mercado interno, exportadoras e ativos considerados defensivos.
No segmento de crédito, Aroldo Medeiros, CEO da Artesanal Investimentos, destacou que a proximidade com originadores de operações e a análise profunda das empresas são ainda mais importantes em períodos de maior incerteza.
Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset, informou que a casa busca oportunidades em renda variável e crédito estruturado, sobretudo nos segmentos mid-yield e high-yield, combinando maior apetite por risco com forte governança interna. Ele reforçou a necessidade de diversificação internacional, lembrando que o Brasil responde por apenas 1% do mercado de capitais global.
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Na Kinea Investimentos, a estratégia permanece focada no mercado local. “Estamos all in no Brasil, independentemente do governo”, disse Marcio Verri, CEO e sócio-fundador, ressaltando o prêmio elevado de juros e o potencial de produtos voltados à aposentadoria e à infraestrutura.
No campo do FI-Agro, Guilherme Grahl, sócio da Valora Investimentos, afirmou que o setor tem baixa sensibilidade a choques internos por ser fortemente exportador. Segundo ele, o gestor precisa agir de forma racional e apartada de preferências políticas.
Ricardo Espíndola, head de crédito da Porto Asset, resumiu o desafio de 2026 como uma “lição de humildade”: historicamente, o mercado pode adotar uma direção e o resultado eleitoral surpreender. Para o executivo, a resposta está na diversificação ampla e no foco no longo prazo.
Apesar das visões distintas, os gestores convergem em dois pontos: ampliar a resiliência das carteiras e evitar grandes apostas direcionais até que o quadro eleitoral esteja definido.