Executivos de algumas das maiores gestoras de ativos alternativos de Wall Street alertaram, nesta terça-feira (data da conferência Bloomberg Invest), que o mercado de crédito privado e private equity pode enfrentar um período de 18 a 24 meses de dificuldades, em meio a resgates recordes e temor de aumento nas taxas de default.
• Fundos de crédito privado, de Blue Owl Capital a Blackstone, registram forte volume de pedidos de saque.
• Analistas temem que o avanço da inteligência artificial eleve a inadimplência de companhias financiadas por esses veículos.
• Gestores de private equity encontram obstáculos para vender ativos e devolver capital, recorrendo a dívidas mais caras para gerar retorno.
Marc Rowan, CEO da Apollo Global Management, afirmou que muitos investidores assumiram riscos maiores em busca de dividendos mais altos: “Parecia ótimo na subida. Não vai parecer tão bom na descida”.
Dawn Fitzpatrick, CIO da Soros Fund Management, previu “18 a 24 meses dolorosos” para quem investe em crédito privado e private equity.
Mike Arougheti, CEO da Ares Management, discordou da projeção do UBS de que a inadimplência possa atingir 15%, mas ressaltou que apenas grupos bem diversificados conseguirão atravessar o momento.
Connor Teskey, CEO da Brookfield Asset Management, classificou os desafios atuais como “soluços” e não vê recuo estrutural na demanda por crédito privado.
A Blackstone aprovou resgates equivalentes a 7,9% das cotas do seu principal fundo de crédito privado, recorde para a gestora. Já um dos veículos da Blue Owl suspendeu saques trimestrais e pretende vender ativos para liberar recursos aos cotistas.
Imagem: Michael Nagle via infomoney.com.br
Para Vivek Bantwal, co-responsável global de crédito privado da Goldman Sachs Asset Management, os limites a retiradas (“gates”) são “características, não falhas”, pois evitam liquidações forçadas.
Os papéis de Apollo, Ares, Blackstone e KKR acumulam queda superior a 25% no ano, enquanto o S&P 500 recua 0,3% no mesmo período.
A possível desvalorização de ativos, sobretudo no setor de software, ameaça fundos que usaram essas participações como garantia para empréstimos bancários. Caso os credores reavaliem esses colaterais, novas chamadas de margem podem pressionar ainda mais o caixa das gestoras, segundo Fitzpatrick.
Arougheti lembrou que, durante a crise de 2008, alguns portfólios registraram perdas de 8% a 10% e classificou uma taxa de default de 15% como “improvável”, mas alertou que, se esse patamar for atingido, “todo o restante do portfólio estará completamente destruído”.
Por ora, o consenso entre os principais nomes do setor é que a diversificação de estratégias e fontes de financiamento será crucial para enfrentar o que chamam de “meses dolorosos” à frente.