O mercado de fundos imobiliários iniciou 2024 em alta. Em janeiro, o Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (Ifix) avançou 2,27% e renovou o recorde de pontuação, mesmo com a expectativa de início do ciclo de corte da taxa Selic apenas em março.
Para saber quais carteiras devem ganhar destaque no novo mês, oito casas de análise e instituições financeiras apontaram suas indicações. O levantamento reúne recomendações de Santander Brasil, XP Investimentos, BTG Pactual, Monte Bravo, Empíricus Research, Terra Investimentos, Itaú BBA e BB Investimentos.
Segundo Marx Gonçalves, head de Fundos Listados da XP Investimentos, há espaço para valorização mesmo após as fortes altas recentes. Ele lembra que:
No segmento de imóveis físicos, os chamados “tijolos”, o desconto médio chega a 13%, ante 8% do Ifix como um todo e 5% dos fundos de papel, acrescenta Gonçalves. O gestor sugere uma carteira diversificada entre as três principais categorias, com foco maior em tijolos e fundos de fundos (FOFs).
Isabella Almeida, gestora da Rio Bravo Investimentos, tem leitura semelhante. Para ela, tanto os fundos de tijolo quanto os FOFs seguem negociados com “descontos relevantes”, o que amplia o potencial de retorno total quando somado ao dividendo médio anual em torno de 12,3% ao ano.
As recomendações ficaram distribuídas entre logística, shopping centers, recebíveis e renda urbana. Veja os fundos mais lembrados e o número de indicações recebidas:
Os relatórios das casas trazem pontos específicos para cada fundo:
BRCO11 – O Itaú BBA destaca a previsibilidade dos contratos, dos quais 36% são atípicos, além da qualidade dos galpões. A concentração de 14% da receita na Natura é vista como o principal risco.
KNCR11 – A XP Investimentos ressalta a carteira de CRIs de baixo risco, totalmente indexada ao CDI e garantida por imóveis prontos. A gestora prevê que a Selic ainda elevada sustentará dividendos atrativos.
Imagem: infomoney.com.br
BTLG11 – O Itaú BBA lembra as 14 emissões já realizadas, patrimônio de R$ 5 bilhões e cerca de 400 mil cotistas. A projeção é distribuir entre R$ 0,78 e R$ 0,84 por cota, retorno anualizado de 9,2%.
HSML11 – Para o Santander Brasil, a reciclagem de portfólio, com foco em shoppings voltados ao público de média e alta renda, reforça a atratividade. O banco estima dividend yield de 10% em 12 meses.
MCCI11 – O Santander vê o fundo como o favorito entre recebíveis, projetando distribuição entre R$ 0,90 e R$ 1,00 por cota no primeiro semestre e yield de 12,8% no ano.
TRXF11 – O BB Investimentos destaca a estratégia de reciclagem de ativos, com vendas de imóveis de grandes redes varejistas e aquisição de novos pontos e galpões, trazendo maior pulverização ao portfólio.
XPML11 – O Santander continua enxergando potencial no fundo de shopping centers após a venda de participações e aquisição de novos projetos, apontando dividend yield estimado de 10% em 12 meses.
Com as indicações divididas entre logística, recebíveis e varejo, os analistas veem margem para ganhos adicionais ao longo do ano, sustentados por descontos nos preços das cotas e perspectiva de recuo gradual dos juros.