Três das maiores empresas de laticínios do mundo — Nestlé, Danone e Lactalis — iniciaram o recolhimento de lotes de fórmulas lácteas para bebês devido à possível contaminação por cereulide, toxina capaz de provocar náuseas e vômitos.
A Nestlé foi a primeira a agir, retirando do mercado, no início de janeiro, produtos distribuídos em dezenas de países. Na última quarta-feira (21), o movimento se estendeu às francesas Danone e Lactalis.
Na França, um inquérito judicial apura se há relação entre o consumo de leite da Nestlé e a morte de um bebê. Segundo o Ministério da Agricultura francês, os resultados devem ser divulgados em cerca de 10 dias.
Sob orientação da Agência de Alimentos de Singapura, um lote da fórmula Dumex Dulac 1 (origem Tailândia), da Danone, e outro da NAN HA1 SupremePro (origem Suíça), da Nestlé, foram retirados preventivamente do mercado após a detecção da toxina.
A Lactalis informou ter recolhido lotes de leite infantil em 18 países depois de identificar cereulide em um ingrediente fornecido por terceiros. Um porta-voz da empresa explicou que a contaminação está ligada ao ácido araquidônico (ARA) fornecido por uma empresa holandesa.
De acordo com uma autoridade do Ministério da Agricultura da França, toda a indústria de fórmulas infantis — dentro e fora do país — pode ter recebido a mesma matéria-prima não conforme, fator que motivou as ações de Nestlé e Lactalis.
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A matéria-prima suspeita foi comercializada por uma companhia dos Países Baixos, mas teria sido produzida na China. A Lactalis descartou a participação da listada holandesa dsm-firmenich, que afirmou não ter seus produtos afetados.
A Nestlé localizou o problema em uma de suas fábricas na Holanda e suspendeu imediatamente a compra do óleo de ARA do fornecedor investigado.
As três companhias afirmam colaborar com as autoridades e recomendam que consumidores verifiquem os números de lote antes de utilizar qualquer fórmula infantil.