Os golpes de falsificação de identidade envolvendo criptomoedas registraram crescimento de 1.400% em 2025 na comparação anual, segundo relatório de crimes cripto divulgado nesta terça-feira pela empresa de análise blockchain Chainalysis.
Nesse tipo de fraude, criminosos se passam por pessoas ou instituições de confiança para convencer as vítimas a entregar ativos digitais, senhas, acessos de conta e outros dados sensíveis. A Chainalysis destacou que muitos esquemas de “pig butchering” e propostas de investimento combinam falsificação de identidade, engenharia social e armadilhas técnicas focadas em carteiras.
Além do aumento no número de casos, o valor médio subtraído em cada golpe cresceu mais de 600% ao longo do ano, o que a empresa classificou como “tendência preocupante”.
Um dos episódios mais expressivos de 2025 envolveu fraudadores que fingiam representar a exchange Coinbase e desviaram quase US$ 16 milhões. O Ministério Público do Brooklyn indiciou um suspeito em dezembro, acusando-o de crimes como grande furto, lavagem de dinheiro e esquema para fraudar. O réu declarou-se inocente; a data do julgamento ainda não foi marcada.
A Chainalysis observou que o uso de inteligência artificial intensificou a chamada “industrialização da fraude”. Operações que utilizam IA foram 4,5 vezes mais rentáveis, apresentando maior receita diária e volume de transações, indícios de que a tecnologia permite atingir e gerir mais vítimas ao mesmo tempo.
Imagem: cointelegraph.com
O avanço dos golpes motivou maior atuação policial em 2025, mas a empresa recomenda que, em 2026, os esforços se concentrem na prevenção por meio de ferramentas de detecção em tempo real e sistemas contra “mulas” financeiras. A Chainalysis também defende mais recursos para a cooperação internacional e apoio a jurisdições com pouca capacidade de investigação.
“Não há solução única para enfrentar fraudes em escala industrial; é preciso uma resposta multifacetada”, alerta o relatório, prevendo que os golpistas deverão combinar cada vez mais táticas e tecnologias nos próximos anos.
Especialistas em segurança cripto ouvidos pelo Cointelegraph recomendam desconfiar de mensagens não solicitadas, automatizar defesas quando possível e jamais compartilhar senhas ou frases-chave. Segundo eles, empresas legítimas não pedem esse tipo de informação, e toda interação deve ser verificada antes de qualquer ação.