Governo adia indicações para diretoria do Banco Central em meio a crise política

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Brasília – A equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu não correr para encaminhar ao Senado os nomes que ocuparão as duas vagas abertas na diretoria do Banco Central (BC).

O ambiente político ficou mais conturbado após o escândalo envolvendo o Banco Master e os vazamentos da CPI do INSS, que expuseram dados sigilosos de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Assessores do Planalto veem risco de as indicações se transformarem em munição para a oposição.

Os cargos vagos pertenciam a Diogo Guillen, ex-diretor de Política Econômica, e Renato Gomes, ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução. Ambos concluíram mandato em 31 de dezembro. Sem substitutos, o Comitê de Política Monetária (Copom) delibera nesta quarta-feira (18) sobre a taxa básica de juros, hoje em 15% ao ano, com a cúpula desfalcada.

Temor de novos vazamentos

Integrantes do governo receiam que novos vazamentos atinjam pessoas próximas ao presidente. A mesma preocupação influencia a possível retirada de Otto Lobo da disputa pela chefia da Comissão de Valores Mobiliários (CVM); como interino, ele tomou decisões favoráveis ao proprietário do Master, Daniel Vorcaro.

O clima entre Executivo e Senado já era tenso desde a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Um ministro ouvido reservadamente afirmou que Lula não deve enviar nomes ao BC antes da saída do titular da Fazenda, Fernando Haddad.

Saída de Haddad e nomes cotados

Haddad deixará o cargo na sexta-feira (20) para se dedicar à pré-campanha ao governo de São Paulo. Ele e Lula devem comunicar a decisão na quinta (19) durante evento no estado, considerado o lançamento informal de sua candidatura.

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Imagem: redir.folha.com.br

No início de fevereiro, o ministro sugeriu ao presidente os economistas Guilherme Mello, secretário de Política Econômica da Fazenda, e Tiago Cavalcanti, professor em Cambridge. O mercado financeiro reagiu mal a Mello, interpretando a escolha como tentativa de influência petista sobre a política de juros.

O governo esperava que a Selic começasse a cair no fim de 2025 ou, no máximo, em janeiro de 2026 — o que não ocorreu, agravado pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Estratégia de Galípolo

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, mantém sigilo sobre seus indicados. Ele pode remanejar diretores entre as oito cadeiras disponíveis, conforme prevê o decreto 91.961/1985, para reduzir o impacto da escolha do titular de Política Econômica, considerada a função mais sensível.

Fontes do Planalto afirmam que, diante do foco do Senado sobre o caso Master, “não há sentido em expor nomes agora”. A atual reunião do Copom é a segunda de 2026 realizada sem a diretoria completa do banco.

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