A Honda anunciou nesta quinta-feira (12) que espera encerrar o ano fiscal com prejuízo de até 570 bilhões de ienes (US$ 3,6 bilhões), o primeiro resultado negativo desde sua abertura de capital, em 1957. A projeção decorre de uma baixa contábil de até 2,5 trilhões de ienes (US$ 15,7 bilhões) ligada ao cancelamento de três modelos de veículos elétricos que seriam produzidos nos Estados Unidos.
Segundo a montadora, a procura por carros elétricos recuou de forma acentuada, dificultando a manutenção da rentabilidade. O presidente-executivo, Toshihiro Mibe, classificou o cenário como “muito difícil” para o segmento.
A decisão ocorre em meio à retirada de incentivos a veículos elétricos nos EUA durante o governo Donald Trump, fator que contribuiu para a revisão dos planos da empresa.
Mibe e o vice-presidente executivo Noriya Kaihara renunciarão a 30% de sua remuneração por três meses. Outros executivos entregarão 20% dos salários no mesmo período.
A Honda informou que apresentará, no próximo exercício fiscal, uma nova estratégia de médio e longo prazos. Parte do foco será a Índia, onde a companhia pretende ampliar a linha de produtos e reduzir custos para enfrentar concorrentes, especialmente os chineses.
A empresa também reduziu o valor contábil de suas operações na China, onde enfrenta forte competição de fabricantes como a BYD, que oferecem veículos com maior integração de software.
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As ações da Honda negociadas nos Estados Unidos caíam cerca de 6% às 15h20 (horário de Brasília).
Com o ajuste da Honda, as perdas anunciadas globalmente por montadoras em programas de eletrificação somam aproximadamente US$ 67 bilhões. Entre os casos mais recentes estão General Motors (US$ 7,6 bilhões), Stellantis (US$ 25 bilhões) e Ford (US$ 19 bilhões).
A Honda é a segunda maior fabricante de veículos do Japão e não registrava um prejuízo anual havia 69 anos.