Howard Marks afirma que era de juros em queda acabou e alerta para novas bolhas no mercado

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Miami (EUA) – A redução gradual das taxas de juros ao longo das últimas quatro décadas foi o evento mais determinante para os mercados financeiros e criou condições propícias ao surgimento de “gênios” no investimento, avaliou Howard Marks, cofundador da Oaktree Capital Management, durante painel na XP Global Conference, realizada na segunda-feira (16).

Juros caíram 20 pontos percentuais em 40 anos

Segundo Marks, entre 1980 e 2020 as taxas caíram aproximadamente 20 pontos percentuais, ou dois mil pontos-base. Essa trajetória, embora lenta, provocou um duplo benefício: valorizou os ativos e barateou o capital.“O investidor dizia que poderia ganhar 10% ao ano; o especialista respondia que era possível tomar dinheiro a 8%. Com a queda subsequente dos juros, o custo do empréstimo ficava ainda menor, transformando o investidor em gênio sem mérito real”, descreveu.

Fim de ciclo exige novas estratégias

Marks advertiu que essa era terminou. Modelos que dependiam de juros em declínio, como parte das operações de private equity, não necessariamente entregarão os melhores resultados em um ambiente de taxas mais altas e estáveis. Ele citou que, nos últimos quatro anos, o rendimento médio do setor foi de cerca de 4% ao ano, desempenho tímido diante da fase de bonança anterior.

Inteligência Artificial pode repetir roteiro de bolhas

Embora reconheça a Inteligência Artificial como a inovação tecnológica mais relevante já vista, o gestor pondera que o entusiasmo excessivo e a compreensão limitada dos riscos podem inflar uma nova bolha, tal qual ocorreu com tulipas, ferrovias ou internet em outros períodos. Marks revelou utilizar ferramentas de IA na elaboração de seus memorandos, porém teme os impactos sociais, como desemprego e perda de propósito.

Crescimento acelerado do crédito privado preocupa

Outro ponto de atenção é o mercado de crédito privado, que saltou de praticamente zero para US$ 1,5 trilhão em 15 anos. Vendido como “seguro”, o segmento atraiu capital, mas a competição entre credores reduziu juros e garantias. “O fato de o preço não oscilar na tela todos os dias não elimina o risco de crédito”, afirmou, citando Warren Buffett: “Quando a maré baixa, descobrimos quem está nadando nu”.

Risco não é volatilidade, e sim perda permanente

Para Marks, volatilidade é uma falsa medida de risco. O perigo real reside na possibilidade de perdas definitivas de capital. Ele discorda da máxima de que mais risco gera mais retorno: ativos percebidos como arriscados precisam oferecer retorno potencialmente maior para atrair investidores, mas isso não garante ganhos.

“Não é o que você compra, é o quanto paga”

A filosofia do gestor, forjada ainda nos tempos das Nifty Fifty, resume-se a pagar o preço correto. “Nada é tão bom que não possa ficar caro e perigoso; poucas coisas são tão ruins que não se tornem bons investimentos se forem baratas o bastante”, disse.

Consistência supera retornos estratosféricos

Marks encerrou defendendo resultados consistentes como caminho para o sucesso. Ele citou um fundo de pensão que, ao longo de 14 anos, jamais ficou entre os 25% melhores ou piores, mas terminou no topo do período. Sua fórmula: “sempre bom, às vezes ótimo, nunca terrível”.

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