Cerca de 60% dos presidentes de empresas no Brasil preveem que as companhias precisarão de menos profissionais em início de carreira nos próximos três anos em razão da incorporação da inteligência artificial (IA) aos processos produtivos. O dado consta da 29ª edição da pesquisa CEO Survey, da consultoria PwC, divulgada nesta segunda-feira (19).
O levantamento ouviu mais de 4.400 líderes empresariais em 95 países. Entre os brasileiros, quase metade espera que a redução de vagas para juniores seja “leve”. No cenário global, dois terços dos executivos projetam cortes modestos.
Os CEOs entrevistados no mundo inteiro preveem efeito menor da IA sobre posições de nível médio e sênior. Para Marco Castro, CEO da PwC no Brasil, a eliminação de portas de entrada cria um dilema: “Você terá profissionais que não passaram pelas experiências das etapas iniciais”, afirmou.
No Brasil, os executivos dedicam em média mais da metade do tempo a temas com impacto inferior a um ano, segundo a pesquisa. Cerca de um terço concentra-se em assuntos com horizonte de um a cinco anos, e menos de 11% reserva tempo para questões de longo prazo. Na China, 49% do tempo é voltado ao médio prazo; nos Estados Unidos e na Europa, o foco também se mantém no curto prazo.
Metade dos CEOs brasileiros (51%) relatou que suas empresas passaram a atuar em novos setores nos últimos cinco anos, acima da média global de 42%. Apesar da forte adoção de IA — usada para geração de demanda, suporte, definição estratégica e atendimento —, o retorno financeiro ainda é limitado: 37% registraram aumento de receita e pouco mais de um quarto reduziu custos, enquanto 56% não observaram impacto relevante.
Para 56% das companhias brasileiras, a inovação é pilar estratégico, mas a aversão ao risco permanece alta. Apenas 20% aceitam riscos elevados em projetos inovadores, ante 25% no mundo. Menos de 20% mantêm centros de inovação ou áreas de investimento em startups, e somente 18% encerram iniciativas de pesquisa e desenvolvimento de baixo desempenho.
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Os CEOs do país apontam a instabilidade macroeconômica como principal obstáculo em 2026, seguida por disrupção tecnológica e inflação. No ano anterior, a falta de mão de obra qualificada liderava a lista.
No campo internacional, 49% pretendem investir fora do Brasil. Os Estados Unidos despontam como principal destino, escolhidos por 55% (36% no ano passado). O interesse pela China subiu de 10% para 18%, e o da Índia, de 6% para 13%. Já México e Argentina perderam espaço, enquanto o Chile superou a Colômbia.
O Brasil continua fora dos dez mercados mais atraentes para investimentos estrangeiros, embora sua participação tenha passado de 4% para 6% entre os CEOs globais. “É um país grande, com mercado consumidor e resiliência nos negócios”, ressaltou Castro.
Quatro em cada dez líderes brasileiros consideram que suas empresas estão moderadamente expostas a perdas financeiras provocadas pelas mudanças climáticas. No exterior, os setores mais sensíveis são seguros, energia e utilidades públicas; no Brasil, o agronegócio lidera essa percepção, seguido por energia, varejo e serviços financeiros.