Ibovespa cede 7% em duas semanas sob impacto da guerra entre EUA e Irã

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O Ibovespa acumula queda de 7% desde que o confronto entre Estados Unidos e Irã começou, há duas semanas. O principal índice da B3 encerrou a sexta-feira, 13 de março de 2026, em 177.653 pontos, após recuar 0,91% no pregão.

Mesmo com o avanço de 13% das ações preferenciais da Petrobras no período, o receio de pressão inflacionária afugentou investidores da renda variável. O giro financeiro do dia somou R$ 21,2 bilhões, volume 21% superior à média diária dos últimos 12 meses, de R$ 17,5 bilhões.

Petróleo em alta e temor de inflação

A ameaça de Teerã de fechar o Estreito de Ormuz, rota por onde trafegam cerca de 20% do petróleo e do gás mundiais, elevou o preço do barril para acima de US$ 100 desde o último domingo. Na semana, a commodity subiu mais de 10% e já sinaliza valorização próxima de 50% desde o início da crise, alimentando preocupações sobre o crescimento global.

Efeito sobre juros e câmbio

No mercado de juros futuros, a taxa do DI para janeiro de 2027 avançou de 13,93% para 14,29% ao ano. Para janeiro de 2031, a taxa passou de 13,74% para 14,11%, enquanto o vencimento para 2036 foi de 13,84% para 14,13%. As revisões refletem expectativa de que o Banco Central possa reduzir o ritmo — ou até adiar — o primeiro corte da Selic, inicialmente estimado em 0,50 ponto percentual na reunião do Copom da próxima semana.

O dólar à vista subiu 1,37% na sessão, para R$ 5,31. No mês, a moeda avança mais de 3,5%; nas duas semanas de conflito, o ganho é de 3%. No acumulado de 2026, porém, ainda registra queda de 3,18% frente ao real.

Perda de fôlego da bolsa brasileira

A percepção de que o petróleo a US$ 100 pode frear a atividade econômica mundial levou o investidor estrangeiro a migrar para ativos de proteção, como ouro e Treasuries, reduzindo a entrada de recursos via ETFs atrelados ao Ibovespa. Com isso, o índice perdeu força para testar novamente os 200 mil pontos.

Entre as 85 ações que integram o Ibovespa, 64 caíram na sessão e 68 fecharam a semana em baixa. Vale segue vulnerável à demanda chinesa; já a Petrobras, embora acumule ganhos recentes, passa a enfrentar risco de “estagflação setorial” caso custos de refino subam e cresça a pressão por subsídios.

Analistas projetam que, na próxima semana, o mercado entre em fase de “fadiga de guerra”, trocando papéis de crescimento por ações de valor e distribuidoras de dividendos, enquanto aguarda novos sinais do conflito no Oriente Médio e a decisão do Copom.

Até que o quadro geopolítico apresente maior clareza, estrategistas avaliam que a B3 poderá levar tempo para recuperar o patamar anterior às hostilidades.

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