Ibovespa fecha semana com alta de 3,6% em meio a fortes oscilações causadas pela guerra entre EUA e Irã

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São Paulo – O Ibovespa encerrou a semana encurtada pelo feriado da Sexta-feira Santa com avanço de 3,6%, mesmo diante de intensa volatilidade provocada pelas incertezas do conflito entre Estados Unidos e Irã. No pregão desta quinta-feira, 2 de abril, o índice oscilou entre ganhos e perdas e terminou praticamente estável, com leve alta de 0,05%, aos 188 mil pontos.

Desde o início do ano, o principal indicador da B3 acumula valorização de 16,7%. O desempenho semanal positivo foi assegurado na sessão de terça-feira, quando o mercado reagiu à promessa do presidente norte-americano, Donald Trump, de retirar tropas do território iraniano em até três semanas. Nos demais dias, o noticiário de guerra manteve o investidor na defensiva.

Petrobras sustenta índice, mas aumenta a dispersão entre ações

O preço do barril de petróleo Brent disparou quase 8% nesta semana, reacendendo o chamado “cabo de guerra” na composição do Ibovespa. A valorização das ações da Petrobras e de outras petroleiras deu suporte ao índice, porém pressionou papéis mais sensíveis a juros e inflação. Nesta quinta-feira, 46 dos 83 ativos que compõem o Ibovespa recuaram, reflexo do movimento desigual entre setores. Ainda assim, 75 ações fecharam a semana no campo positivo graças ao chamado “trade de alívio” visto nos últimos pregões.

Dólar cai e juros futuros oscilam

No mercado de câmbio, o dólar à vista cedeu 1,56% na semana, encerrando cotado a R$ 5,16. No ano, a moeda norte-americana acumula queda de 6% frente ao real.

Entre os juros futuros, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 passou de 14,03% para 14,05% ao ano. O DI para janeiro de 2031 permaneceu em 13,80%, enquanto o de janeiro de 2036 variou de 13,84% para 13,86% ao ano.

Dois focos de atenção: risco geopolítico e oferta de energia

Analistas destacam que o conflito no Oriente Médio gera dois tipos de preocupação. O primeiro é o risco geopolítico imediato, que responde a cada declaração de Trump sobre possíveis ataques ou cessar-fogo. O segundo, estrutural, envolve o tempo necessário para restaurar a produção e o refino de petróleo e gás no Golfo Pérsico quando as hostilidades terminarem.

A perspectiva de interrupções prolongadas na oferta levou as cotações do Brent para perto de US$ 110 nos contratos com entrega em junho. As projeções predominantes apontam preços entre US$ 80 e US$ 85 até o fim do ano, mas há estimativas que empurram esse cenário para 2027, indicando que os ajustes continuarão turbulentos.

Volume financeiro e destaques do pregão

O giro financeiro do Ibovespa somou R$ 17,5 bilhões na sessão, ligeiramente abaixo da média diária dos últimos 12 meses, de R$ 17,8 bilhões.

Entre os destaques positivos do dia estiveram PetroRio ON (+5,68%), Auren ON (+4,49%) e Brava ON (+3,28%). Já as maiores baixas ficaram por conta de Raia Drogasil ON (-3,95%), Cyrela Realty PN (-3,44%) e Cyrela Realty ON (-3,51%).

O ambiente segue sensível a qualquer sinal de escalada ou trégua no conflito. Assim, as curvas de juros, a cotação do dólar e os preços do petróleo permanecem prontos para novos solavancos, condição que tende a ditar o rumo dos ativos brasileiros nas próximas semanas.

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