São Paulo — A anulação, nesta sexta-feira (20), do pacote tarifário imposto pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump em 2025 deu o impulso que faltava à Bolsa brasileira. O Ibovespa avançou 1%, encerrou o pregão em 190.534 pontos e cravou o maior nível de fechamento de sua história. No período encurtado pelo Carnaval, o índice acumulou valorização de 2,2%. Em fevereiro, sobe 5% e, no ano, já ganha 18,25%.
A Suprema Corte dos Estados Unidos considerou ilegal o modelo de “tarifa por decreto” adotado por Trump, derrubando sobretaxas de até 40 pontos percentuais que ainda incidiam sobre móveis, calçados, pescados e produtos químicos brasileiros. As alíquotas voltam aos patamares normais de importação.
A estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, avalia que, apesar da possibilidade de Trump insistir em uma tarifa global de 10% sobre todas as importações, o mercado enxerga a medida como menos nociva. “A alíquota poderia ter sido mais alta e, além disso, sua validade é de 150 dias, o que limita o uso político indiscriminado”, disse.
O dólar à vista caiu quase 1% e foi negociado a R$ 5,18, no menor nível em quase dois anos. Na semana, a moeda recuou porcentagem semelhante; no mês, perde 1,37%, e em 2026 acumula queda de 5,7%.
O volume negociado no Ibovespa somou R$ 23,9 bilhões, 40% acima da média diária dos últimos 12 meses (R$ 17,1 bilhões).
No mercado de DIs, o contrato para janeiro de 2027 caiu de 13,30% para 13,26% ao ano. Os vencimentos para janeiro de 2031 e 2036 recuaram, respectivamente, de 13,12% para 13,05% e de 13,45% para 13,39% ao ano.
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Pela manhã, o Ibovespa operava perto da estabilidade após a divulgação do Produto Interno Bruto dos EUA do quarto trimestre de 2025, inferior ao previsto, e do índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), que veio em linha com as expectativas, mas ainda elevado. Para Adam Hetts, líder global de multiativos da Janus Henderson, a combinação de crescimento mais fraco e inflação resiliente mantém a incerteza sobre a política monetária norte-americana.
Entre as 85 ações do índice, 63 subiram no dia e 65 na semana. Vale ON (VALE3) avançou 3,23% e Magazine Luiza ON (MGLU3), 2,08%. Na ponta negativa, Raízen PN (RAIZ4) recuou 3,23% e Hapvida ON (HAPV3) caiu 2,69%.
Analistas destacam que a redução da insegurança jurídica e dos custos para empresas listadas, após a decisão da Suprema Corte norte-americana, sustenta a procura por ativos brasileiros, apesar do cenário externo ainda volátil.