O Ibovespa registrava alta de pouco mais de 0,40% em fevereiro até as 10h30 desta sexta-feira (6), acumulando valorização de 45% nos últimos 12 meses. Gestores de recursos afirmam que, apesar do forte desempenho, ainda há espaço para ganhos, mas exigindo maior seletividade na escolha dos papéis.
Para César Paiva, sócio-fundador da Real Investor, a entrada de capital externo no mercado brasileiro não deve ser vista como movimento isolado. “Após um ciclo extenso nos Estados Unidos, há maior busca por diversificação em emergentes, o que tende a favorecer Brasil e real”, disse durante a segunda edição da Premiação Outliers InfoMoney, que reconheceu destaques do setor de fundos em 16 categorias.
Paiva pondera que choques geopolíticos e mudanças na política monetária internacional continuam no radar, mas lembra que as ações brasileiras “ficaram para trás” nos últimos anos e ainda negociam com desconto em relação a outros emergentes e aos EUA.
Na carteira sugerida pela gestora, aparecem setores sensíveis ao ciclo de juros e à retomada da atividade: varejo alimentar, shopping centers, logística e construtoras. Ao mesmo tempo, Paiva recomenda manter proteção cambial: um real mais fraco poderia favorecer companhias exportadoras como Petrobras (PETR3; PETR4), Vale (VALE3) e Suzano (SUZB3).
Para equilibrar o portfólio, ele cita nomes de perfis diferentes, como Porto Seguro, voltada ao crescimento, e BB Seguridade (BBSE11), com forte geração de caixa e alto payout.
No início de 2026, a SPX também vê ambiente construtivo para a Bolsa, impulsionado pela rotação global para fora de ativos norte-americanos e do dólar, afirma João Torres, sócio e cogestor dos fundos de ações da casa. Ele, contudo, destaca que o novo patamar de preços requer maior disciplina, pois “parte do mercado já embutiu exageros”.
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Torres aponta a expectativa de queda nos juros internos como fator de suporte, mas o cenário eleitoral, descrito como “disputado e binário”, reforça a necessidade de seleção criteriosa.
Entre as apostas da gestora estão as utilities, sobretudo geradoras de energia. Segundo Torres, o preço de longo prazo da eletricidade no Brasil é superior ao assumido em muitos modelos de análise, o que mantém valuations descontados e dividendos robustos.
Outra área de interesse é a de shopping centers, com foco em empresas expostas ao consumo doméstico. A Allos (ALOS3) é citada como caso de previsibilidade de resultados, retorno ajustado ao risco e distribuição elevada de proventos, ainda sem prêmio excessivo nas cotações.
Mesmo após a expressiva alta do Ibovespa, os gestores veem “bolsões” de oportunidade para investidores dispostos a investigar setores e companhias em detalhe.