Pelo terceiro pregão seguido, o Ibovespa voltou a renovar máximas históricas. Por volta de 12h30 (horário de Brasília) desta quinta-feira (22), o principal índice da B3 atingiu 177.100,98 pontos, alta de 3,08% no intradia, superando o pico registrado na véspera, de 171.969,01 pontos.
A valorização é atribuída a um forte fluxo de recursos estrangeiros, decorrente do movimento global conhecido como Sell America, em meio a tensões geopolíticas ligadas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A realocação de capitais foi reforçada por indicadores internos positivos, sobretudo o desempenho da arrecadação federal.
Dados da Receita Federal mostram que a arrecadação somou R$ 2,887 trilhões em 2025, avanço real de 3,65% sobre 2024 e o melhor resultado desde o início da série, em 1995. O secretário especial da Receita, Robinson Barreirinhas, informou que a meta para 2026 é arrecadar R$ 200 bilhões por meio de negociações amigáveis, ante R$ 177,5 bilhões em 2025.
Na semana passada, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, estimou déficit primário de 0,1% do PIB para o governo central em 2025, resultado que será confirmado pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central no fim de janeiro.
No dia de recorde, apenas PetroReconcavo (RECV3) e Prio (PRIO3) recuavam, pressionadas pela queda de quase 2% do Brent. Na ponta oposta, Cogna (COGN3) liderava os ganhos pelo segundo pregão, após o BTG Pactual elevar recomendação de neutra para compra e ajustar o preço-alvo de R$ 4 para R$ 5. Ontem, a ação saltou 11%.
Braskem (BRKM5) avançava depois de o investidor Victor Adler assumir cerca de 5% do capital. Entre os papéis de maior peso, Vale (VALE3) subia mais de 1% com entrada de recursos externos, enquanto Petrobras (PETR4) anotava alta de 0,5%, limitada pela baixa do petróleo. Bancos também operavam em bloco positivo, acompanhando os desdobramentos do Caso Master e o pagamento do Fundo Garantidor de Crédito. Juntas, instituições financeiras, Vale e Petrobras representam metade da carteira teórica do Ibovespa.
Imagem: Liliane de Lima via moneytimes.com.br
No mercado cambial, o índice DXY caía 0,22%, a 98,537 pontos, por volta de 12h. O dólar era negociado a R$ 5,3157, recuo de 0,10% frente ao real.
Em Wall Street, os principais índices mantinham o viés de alta após Trump descartar o uso da força para obter controle da Groenlândia e suspender tarifas de 10% sobre produtos de oito países europeus. No mesmo horário, o Dow Jones subia 0,52% (49.331,23 pontos), o S&P 500 avançava 0,30% (6.896,59 pontos) e o Nasdaq ganhava 0,49% (23.339,09 pontos).
Nos Estados Unidos, o índice de preços de gastos com consumo (PCE) subiu 0,2% em novembro ante outubro e 2,8% em 12 meses, em linha com as projeções. Após o dado, permanecem as apostas de que o Federal Reserve manterá os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano na reunião da próxima semana, com expectativa de corte apenas a partir de junho.
Com a soma dos fatores externos e internos, o Ibovespa segue em trajetória de forte valorização, consolidando novo patamar histórico acima dos 177 mil pontos.