O Ibovespa encerrou o último pregão de janeiro, nesta sexta-feira (30), com alta acumulada de 12,56% no mês e assumiu a liderança entre os investimentos de melhor desempenho, superando o ouro, que avançou 12,45% no mesmo período.
A virada ocorreu apesar da queda generalizada registrada no dia, quando ativos de diferentes mercados recuaram após a indicação de Kevin Walsh para dirigir o Federal Reserve (Fed). Conhecido pela postura mais rigorosa no controle da inflação, Walsh provocou realização de lucros global, derrubando as bolsas de Nova York e de São Paulo e fazendo o ouro despencar 11% no pregão.
Entre 1º e 28 de janeiro, a B3 recebeu R$ 23 bilhões em capital externo, equivalente a cerca de 90% de todo o ingresso registrado ao longo de 2025. Esse movimento, associado ao que parte do mercado chama de sell America trade—redução de exposição a ativos dos Estados Unidos—, fortaleceu mercados emergentes e metais preciosos.
Nos EUA, ruídos em torno de decisões e declarações do presidente Donald Trump pressionaram o dólar e o índice S&P 500, abrindo espaço para outras praças. O ETF EWZ, que espelha ações brasileiras em Nova York, acumulou ganho de 16% no mês, enquanto o índice de emergentes avançou 8%.
Para José Faria Júnior, planejador financeiro certificado pela Planejar, o resultado de janeiro reflete um processo de rotação para fora dos Estados Unidos. Ele avalia que a Bolsa brasileira ainda apresenta desempenho inferior ao de outros emergentes desde o fim de 2023, sugerindo potencial adicional de recuperação.
Imagem: Sergey Isaev via valorinveste.globo.com
Gabriel Jardim, presidente da Trade Arena, destaca que o Ibovespa opera em máximas históricas apoiado pelo fluxo estrangeiro e por expectativas de um cenário macroeconômico mais favorável. Segundo ele, o corte da taxa Selic previsto para março pode oferecer novo impulso, embora o calendário eleitoral de 2026 seja fonte adicional de volatilidade.
O primeiro mês do ano terminou com proteção e risco disputando espaço: ouro e ações dividiram o protagonismo, mas não sem fortes oscilações no caminho.