O IFIX, indicador que reúne os fundos imobiliários negociados na B3, abriu 2026 batendo novo recorde. No decorrer de janeiro, o índice alcançou 3.862 pontos, marca mais elevada de sua história, mantendo-se acima da faixa dos 3.800 pontos superada no fim de 2025.
O movimento confirma a recuperação iniciada no segundo semestre do ano passado. Com avanço de 2,27% em janeiro, o IFIX acumula seis meses consecutivos de ganhos — sequência igual à observada pela última vez em setembro de 2023.
Veja a variação percentual do índice nos últimos meses:
Para Felipe Gaiad, managing director da HSI Fundos Imobiliários, a perspectiva de início do ciclo de afrouxamento monetário deve favorecer principalmente os chamados “fundos de tijolo”. Caso a taxa básica termine 2026 entre 12% e 12,5%, ele projeta ganho médio de 10% nas cotas, além dos dividendos, elevando o retorno total anual para perto de 20%. O executivo vê maior potencial no segmento de shoppings, por contar com receitas variáveis que se ajustam rapidamente ao aquecimento do consumo.
Alexandre Despontin, CEO da Mérito, ressalta que o IFIX ainda é negociado cerca de 10% abaixo do valor patrimonial agregado, o que, para ele, abre espaço para valorização adicional. “Logística, escritórios e residencial tendem a capturar queda da vacância e reajuste dos aluguéis”, afirma.
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Na mesma linha, André Sarué, gestor de real estate líquido, lembra que shoppings, lajes corporativas e até fundos considerados blue chips seguem com deságio entre 15% e 20% frente ao valor patrimonial. Segundo ele, o “carrego” — remuneração via dividendos — gira em torno de 10% ao ano em fundos líquidos e de qualidade, patamar superior aos 5,5% a 6% observados anteriormente. Sarué também destaca fundos de fundos (FoFs) que apresentam “duplo desconto”, combinando preço atrativo, rendimento elevado e liquidez.
Marx Gonçalves, head de Fundos Listados da XP, afirma que o índice passou a precificar os cortes da Selic antes mesmo de sua concretização. No fim de 2024 e início de 2025, a taxa prefixada de três anos chegou a 15,9% ao ano, ainda sob um cenário de alta na Selic. O fechamento posterior da curva de juros, mesmo sem cortes efetivos, abriu caminho para a forte valorização dos FIIs ao longo de 2025.
Com o patamar atual dos juros futuros indicando flexibilização à frente, gestores veem espaço para que o IFIX mantenha trajetória positiva, respaldado por dividendos elevados e pelas assimetrias de preço ainda presentes em diversos segmentos do setor imobiliário listados na B3.