Um ano após anúncio de compra, impasse entre BRB e Banco Master permanece sem solução

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O acordo divulgado em 28 de março de 2025 para que o Banco de Brasília (BRB) adquirisse 58% do Banco Master completa um ano neste sábado (28) sob forte indefinição. A operação foi vetada por unanimidade pelo Banco Central (BC) em 3 de setembro de 2025, e o escândalo financeiro que envolve a instituição de Daniel Vorcaro segue longe de ser esclarecido, com estimativa de rombo superior a R$ 60 bilhões.

Ascensão acelerada

A trajetória do Master ganhou força a partir do segundo semestre de 2019, quando o BC aprovou a transferência do controle do então Banco Máxima para Vorcaro. De 2019 a 2024, os ativos saltaram de R$ 3,7 bilhões para R$ 82,7 bilhões, impulsionados por captação de CDBs em plataformas de investimento e pela compra de Vipal, Banif Brasil, Voiter, Letsbank e Will Financeira.

Nesse período, o BC emitiu 31 ofícios exigindo ajustes, provisões e reforço de capital. Em 2023, o então diretor Paulo Sérgio Neves de Souza, hoje investigado, relatou à autarquia que as carteiras de crédito PJ “paravam de pé”, apesar de alertas de mercado sobre riscos nos negócios com participações societárias, precatórios e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).

Precatórios ocultos

Auditorias feitas em 2025 apontaram que o Master detinha R$ 21 bilhões em precatórios e pré-precatórios, e não os R$ 8 bilhões registrados em balanço. Técnicos do BC identificaram que R$ 13 bilhões estavam fora dos demonstrativos, ocultos em fundos de investimento.

Crise de liquidez

Do segundo semestre de 2024 em diante, o banco passou a ter dificuldade para rolar CDBs. Algumas plataformas recompraram títulos com desconto para revenda em lotes de até R$ 250 mil, limite do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), agravando o risco sistêmico. Vorcaro tentou, sem sucesso, obter linha de até R$ 15 bilhões do FGC.

Na mesma época, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) apresentou emenda para elevar a garantia do FGC para R$ 1 milhão, proposta que acabou retirada após articulação do presidente do BC, Roberto Campos Neto, e da direção do fundo.

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Imagem: redir.folha.com.br

Tentativa de salvação pelo BRB

Com o plano de recuperação fracassado — só R$ 2 bilhões dos R$ 15,1 bilhões exigidos foram captados — Vorcaro iniciou, em julho de 2024, a venda de carteiras de crédito ao BRB. As carteiras somaram R$ 6 bilhões naquele ano e chegaram a R$ 21,9 bilhões antes de o BC impedir novas transações.

Em 28 de março de 2025, o BRB surpreendeu o mercado ao anunciar acordo para assumir 58% do Master. A justificativa do banco ligado ao governo do Distrito Federal, comandado por Ibaneis Rocha (MDB), era ampliar sua presença nacional. Cinco meses depois, o BC barrou a operação.

Investigação e consequências

No início de 2026, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal, e o Master colocado em liquidação extrajudicial. Documentos analisados por investigadores indicam que a instituição operava mais como fundo multimercado do que como banco tradicional, segundo executivos do setor.

Com o negócio descartado, o BRB deve reduzir tamanho e rever estratégias para preservar indicadores de capital. Paralelamente, as apurações sobre a maior fraude bancária já registrada no país prosseguem sem prazo para conclusão.

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