Sacramento (EUA), 27 de abril de 2026 – Um projeto de lei que pretende cobrar uma taxa única de 5% sobre o patrimônio de pessoas com fortuna superior a US$ 1 bilhão ganhou apoio expressivo de eleitores californianos, mas também acendeu um debate sobre possíveis impactos econômicos e a saída de grandes contribuintes do estado.
De acordo com o Legislative Analyst’s Office (LAO), a medida alcançaria cerca de 200 bilionários. O cálculo incluiria participações em empresas, ações, obras de arte, colecionáveis e propriedade intelectual. Imóveis mantidos diretamente em nome da pessoa física ou em trust revogável ficariam fora da base, porém imóveis controlados por meio de empresas contariam para o valor do negócio.
A análise do LAO determina que 90% da arrecadação seja destinada a serviços públicos de saúde; o restante cobriria custos administrativos, educação e assistência alimentar.
O sindicato SEIU-United Healthcare Workers West (SEIU-UHW) lidera a campanha favorável. Para a chefe de gabinete Suzanne Jimenez, o imposto é uma “resposta de emergência” diante de possíveis cortes federais: “Sem essa contribuição, hospitais e prontos-socorros poderão fechar definitivamente”, afirmou. O sindicato representa 120 mil profissionais da saúde.
Jimenez sustenta ainda que bilionários pagam alíquotas efetivas menores do que trabalhadores comuns e que a iniciativa impediria que futuros aumentos de custos e impostos recaíssem sobre a população.
Para Adam Michel, diretor de estudos tributários do Cato Institute, a proposta é “economicamente desastrosa”. Ele argumenta que o tributo incide sobre ativos acumulados, não sobre renda, podendo equivaler a uma carga superior a 100% do lucro anual de empresas cujos rendimentos fiquem abaixo de 5%. “Isso reduz incentivo para investir, expandir ou contratar”, declarou.
Michel lembra que modelos semelhantes em países da OCDE foram abandonados após frustração na arrecadação e dificuldades administrativas. Ele cita a experiência da Espanha, onde um imposto temporário se tornou permanente.
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O governador Gavin Newsom também se manifestou contra a proposta, temendo perda da base tributária californiana caso o texto avance.
Pesquisa Nestpoint de fevereiro de 2026 indica que 60% dos prováveis eleitores apoiam o imposto, embora mais da metade admita acreditar que a medida provocará saída de empresas e redução de empregos locais.
A iniciativa ainda recolhe assinaturas para ser incluída na cédula de novembro. Se aprovada, a cobrança deverá ocorrer uma única vez antes de 1.º de janeiro de 2027.
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