O processo de confirmação de Kevin Warsh como próximo presidente do Federal Reserve (Fed) corre o risco de não ser concluído antes do fim do mandato de Jerome Powell, que termina dentro de um mês. Até o momento, o Comitê Bancário do Senado norte-americano não marcou a audiência de sabatina nem recebeu a documentação financeira e o questionário exigidos do indicado.
Segundo duas pessoas a par das negociações, Warsh esperava ser ouvido já na próxima semana. A previsão mais recente, porém, aponta para o fim de abril, no mínimo.
A tramitação ficou mais lenta depois que o Departamento de Justiça abriu uma investigação sobre estouros de custos na reforma da sede do Fed, conduzida durante a gestão de Powell. O inquérito, criticado por parlamentares de ambos os partidos, colocou Warsh no centro de uma disputa política.
O presidente Donald Trump iniciou a busca por um novo chefe do banco central em meados de 2025 e anunciou Warsh como escolhido no fim de janeiro deste ano, enviando a indicação ao Congresso apenas no início de março.
O senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, que se aposentará após as eleições de meio de mandato de novembro, promete bloquear o avanço da sabatina enquanto a investigação contra Powell permanecer aberta. Outros republicanos também condenaram o inquérito, sinalizando dificuldades adicionais para a confirmação.
Trump vem elogiando os promotores responsáveis, enquanto a procuradora federal do Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, sustenta que seguirá com o caso, apesar de decisão do juiz James Boasberg que suspendeu intimações por falta de evidências concretas contra Powell.
Se Warsh não obtiver o aval do Senado a tempo, Powell poderá permanecer à frente do Conselho de Governadores e do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) até a posse do sucessor, dificultando o plano de Trump de reduzir os custos de empréstimos. Analistas observam que, quanto mais a investigação durar, maior a probabilidade de Powell seguir no conselho até 2028, embora, em geral, os presidentes deixem o cargo ao término do mandato.
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Warsh deverá enfrentar questões sobre seu patrimônio. Casado com Jane Lauder, herdeira do grupo Estée Lauder, ele é genro de Ronald Lauder, aliado de longa data de Trump que doou US$ 5 milhões a um comitê pró-governo em março de 2025. Desde que saiu do Fed, em 2011, Warsh trabalha no family office do investidor bilionário Stanley Druckenmiller e atua como elo com empresas de tecnologia do Vale do Silício.
O indicado integra ainda os conselhos da UPS e da sul-coreana Coupang, cargos que deverá abandonar se assumir a presidência do banco central.
Em nota, um porta-voz da Casa Branca afirmou continuar “focado em trabalhar com o Senado para confirmar rapidamente” Warsh, destacando a combinação de experiência acadêmica, trajetória no setor privado e passagem anterior pelo Conselho do Fed como credenciais para “restaurar a confiança e a competência” da autoridade monetária.
Warsh, que se tornou em 2006 o mais jovem diretor da história do Fed, busca o cargo de presidente há mais de uma década. Sua equipe trabalha para concluir as pendências documentais antes da audiência.