O sistema financeiro brasileiro identificou 12 milhões de indícios de fraude em 2025, montante 66,88% superior ao registrado em 2024, segundo levantamento da Quod, empresa de inteligência de dados que consolida informações na base Registro Unificado de Fraudes (Rufra).
A principal porta de entrada dos golpes foi a engenharia social, responsável por 44% dos casos. Contas de passagem e contas laranja, que viabilizam a movimentação dos recursos ilícitos, responderam por 10% das notificações. Entre essas contas, 96% mantinham relacionamento superior a um ano com as instituições financeiras, e 37% ultrapassavam seis anos.
Os maiores volumes ocorreram nos últimos meses de 2025: 2 milhões de registros em outubro, 1,8 milhão em novembro e 1,8 milhão em dezembro. Na comparação anual, esses meses apresentaram altas superiores a 200%. A Quod atribui o salto à entrada em vigor da Resolução 501 do Banco Central, em outubro, que ampliou o compartilhamento de dados via Rufra.
Parte do avanço também decorre da Resolução Conjunta nº 6, de 2023, que obrigou as instituições financeiras a repassar informações sobre suspeitas de fraude a birôs de crédito. Com mais de 80% das instituições reportando à Quod, a base de dados ganhou escala ao longo de 2024.
Mais de 1,2 milhão de pessoas sofreram fraudes mais de uma vez em 2025. A faixa etária de 18 a 34 anos concentrou 47% dos casos. Não houve diferença relevante por gênero (48% mulheres e 50% homens), enquanto 39% das vítimas recebem até um salário mínimo.
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Para o CEO da Quod, Ricardo Kalichsztein, a consolidação dos dados reduz a fragmentação das informações entre as instituições. O diretor comercial, Rafael Rodrigues, acrescenta que o acesso simultâneo a dados de fraudadores e vítimas permite campanhas de prevenção mais direcionadas. A empresa desenvolve ferramentas de monitoramento em tempo real e modelos preditivos capazes de atribuir pontuações de probabilidade de fraude a cada cliente.
Apesar dos avanços, a Quod reconhece que as estratégias de fraude continuam evoluindo, exigindo atualização constante dos mecanismos de controle.