Indústria pornô debate sobrevivência diante da inteligência artificial na Expo AVN 2026

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De 21 a 24 de janeiro, a Expo AVN transformou o Virgin Hotels, em Las Vegas, em um ponto de encontro entre o entretenimento adulto e a tecnologia. Avaliada em cerca de US$ 100 bilhões, a indústria discutiu como manter atores e receitas em meio ao avanço da inteligência artificial (IA).

Do VHS às réplicas digitais

Realizada desde 1984, a feira já acompanhou mudanças como a chegada da internet, o crescimento de plataformas gratuitas, como Pornhub, e o modelo de assinatura do OnlyFans. Agora, a preocupação é outra: ferramentas capazes de criar ou modificar imagens sem consentimento, como ocorreu recentemente com o chatbot Grok, da xAI, de Elon Musk, que foi usado para “despir” pessoas digitalmente.

Estandes high-tech substituem a antiga badalação

Veteranos sentem o evento encolher — “é a convenção do incrível encolhimento”, resume o ator Tommy Gunn —, mas os corredores lotaram de startups. A Hesen AI apresentou bonecas robóticas de silicone com movimentos oculares e diálogo básico. Já a Beyond AI exibiu software que gera clones digitais de performers, capazes de produzir material explícito sem a presença física dos artistas.

Atores tentam blindar imagem e faturar

Com medo de perder espaço, profissionais registram nomes artísticos e renegociam contratos para impedir que vídeos sirvam de treino a algoritmos. Outros preferem aderir. Cherie DeVille, conhecida como “a madrasta da internet”, diz que toparia ter um avatar se obtiver condições vantajosas: “Acredito que esse é o futuro”.

Nem todos compartilham o otimismo. “A garota de IA está sempre excitada e sempre disponível”, alerta a atriz Casey Calvert, preocupada em competir com bots. A pressão atinge também quem atua on-line. Roxy Renee relata exigências cada vez mais específicas e imediatas dos fãs — um deles pediu foto segurando três dedos e uma colher para provar que ela não era um programa.

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Imagem: redir.folha.com.br

Presença física como diferencial

Para se distinguir dos avatares, muitos apostam no contato ao vivo. Jennifer White, eleita Performer Feminina do Ano, passou o evento tirando selfies com admiradores e encerrou a noite dançando no clube Sapphire, anunciado como o maior strip club do mundo, onde recebeu aplausos e notas de dólar.

A Expo AVN 2026 terminou sem respostas definitivas, mas com um consenso: na era da IA, a carne e osso segue sendo um ativo valioso — ainda que cada vez mais desafiado pelo virtual.

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