A alta dos preços de alimentação e bebidas desacelerou para 0,23% em janeiro, informou nesta terça-feira (10) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se do menor índice para meses de janeiro desde 2006, quando o avanço foi de 0,11%.
Os números fazem parte do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação do país. O grupo alimentação e bebidas é o de maior peso na composição do índice.
O subgrupo alimentação no domicílio aumentou 0,10% em janeiro, após registrar 0,14% em dezembro. Contribuíram para a desaceleração:
Segundo Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, o preço do leite cedeu com a ampliação dos estoques, influenciada pela produção interna e pelas importações. No caso dos ovos, a redução foi atribuída ao menor custo da ração e à demanda mais fraca durante as férias escolares.
Entre os itens que ficaram mais caros, destacaram-se:
Imagem: redir.folha.com.br
O economista Fábio Romão, sócio da consultoria Logos Economia, atribui o resultado principalmente às boas safras de 2024 e à valorização do real frente ao dólar em 2025, que barateou commodities no mercado interno.
Nos 12 meses de 2025, a alimentação no domicílio acumulou alta de 1,43%. Romão projeta inflação de 3,8% para esse grupo em 2026, citando possível encarecimento das carnes por causa da menor oferta de animais para abate e eventuais impactos do fenômeno climático El Niño.
O custo dos alimentos pesa mais no orçamento das famílias de menor renda e costuma ser um dos temas centrais em períodos eleitorais — o próximo pleito presidencial está marcado para 2026.