Insider trading de criptomoedas chega às tesourarias corporativas, alerta Shane Molidor

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São Paulo, 4 de novembro de 2023 – A prática de insider trading que acompanha lançamentos de tokens no mercado de criptomoedas está migrando para as tesourarias de ativos digitais (DATs), segundo o fundador e CEO da consultoria blockchain Forgd, Shane Molidor.

Molidor afirmou que investidores vêm explorando informações privilegiadas sobre futuras compras corporativas de moedas digitais, reproduzindo no ambiente institucional problemas antes restritos a listagens de novos tokens. Para o executivo, trata-se de um traço estrutural do setor, em que os preços frequentemente se afastam do valor justo.

Quem é Shane Molidor

Veterano de mesas de operações no Ocidente e na Ásia, Molidor já ocupou cargos de liderança nas corretoras de criptomoedas AscendEX e Gemini, além de comandar a área de trading da market maker chinesa FBG Capital. À frente da Forgd – que se autodefine como “banco de investimentos Web3” –, ele assessora projetos em tokenomics, relacionamento com market makers e listagens em exchanges.

Como o problema se espalha

Segundo Molidor, as DATs nasceram focadas em ativos de grande capitalização, como Bitcoin (BTC), onde a liquidez é ampla e a descoberta de preço, mais eficiente. Com a maior concorrência, esses veículos passaram a buscar tokens menores e menos líquidos em busca de retorno superior, o que facilita a manipulação.

Durante a captação de recursos para uma tesouraria, informações sobre quais tokens serão comprados circulam entre participantes internos. “Isso abre espaço para o front-running: comprar o ativo no mercado secundário antes do anúncio público e lucrar com a alta subsequente”, explicou o executivo.

A mecânica dos lançamentos de tokens

Molidor ressalta que listagens de novos criptoativos costumam privilegiar o espetáculo em vez da descoberta justa de preço. De acordo com ele, exchanges podem precificar o token abaixo do valor de mercado e oferecer liquidez reduzida no início, fazendo com que pequenos volumes de compra elevem os preços rapidamente.

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Imagem: cointelegraph.com

“As corretoras são incentivadas a exibir gráficos que vão ‘para cima e para a direita’. Isso gera manchetes, volume e novos usuários, mesmo que o preço desabe logo depois”, disse. Ele comparou o processo a uma “estratégia de marketing”, observando que plataformas ocidentais como a Coinbase adotam leilões mais lentos visando preço justo, enquanto bolsas asiáticas preferem lançamentos rápidos voltados à especulação.

Loop virtuoso — até deixar de ser

Em ativos de baixa liquidez, mesmo pequena demanda de compra pode provocar grande impacto nos preços, criando um ciclo de alta que estimula mais compras por medo de ficar de fora (FOMO). Quando a pressão compradora diminui, a mesma falta de liquidez pode acelerar quedas bruscas.

Do Bitcoin a tokens menores

Casos emblemáticos ocorreram em 2020 e 2021, quando Tesla e MicroStrategy adicionaram Bitcoin a seus balanços, provocando fortes valorizações num mercado então mais raso. Hoje, a maior liquidez do BTC reduz o efeito de anúncios semelhantes, mas o fenômeno continua visível em criptomoedas menores que reagem de forma mais pronunciada a aquisições de DATs.

Para Molidor, o avanço do capital institucional pode dar legitimidade ao setor, porém também transporta riscos para um ambiente ainda carente de transparência. “Se o preço vira o único parâmetro de valor e pode ser manipulado por volumes pequenos, o mercado fica sujeito a capitulações acentuadas”, alertou.

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