A adoção de ferramentas de inteligência artificial (IA) avança rapidamente no setor de saúde norte-americano. Segundo a OpenAI, cerca de 40 milhões de pessoas em todo o mundo utilizam diariamente o ChatGPT para tirar dúvidas médicas. A empresa lançou recentemente o recurso ChatGPT Health, que ajuda a interpretar exames, preparar consultas e obter orientações gerais.
Concorrentes também se movimentam. A Anthropic colocou no mercado o Claude for Healthcare, voltado ao apoio de fluxos clínicos e à educação de pacientes. Paralelamente, uma pesquisa setorial indica que quase um terço dos sistemas hospitalares dos Estados Unidos já paga por licenças comerciais de IA.
Instituições de referência, como o Memorial Sloan Kettering Cancer Center (MSK), em Nova York, firmaram acordos com a OpenAI para avaliar o uso responsável das novas tecnologias. O diretor de estratégia do MSK, Dr. Anaeze Offodile II, afirmou que, ao longo dos próximos 12 meses, a equipe mapeará áreas onde os recursos podem agregar valor em pesquisas, educação de pacientes e tarefas administrativas. “Nossa responsabilidade é garantir que essas tecnologias sejam seguras, éticas e realmente benéficas aos pacientes”, disse.
No Laboratório de Dermatologia do MSK, pesquisadores testam sistemas que analisam imagens médicas e dados de pacientes para identificar lesões suspeitas e classificar indivíduos de alto risco. A diretora do programa de informática dermatológica, Dra. Veronica Rotemberg, vê na IA um “divisor de águas” para o diagnóstico de câncer de pele. “O ponto crucial é validar essas ferramentas em ambientes clínicos reais para medir seu impacto”, ressaltou.
Entre as tecnologias em avaliação está um equipamento de fotografia corporal total em 360 graus, composto por 92 câmeras, capaz de registrar imagens detalhadas da pele. O objetivo é usar IA para detectar automaticamente lesões novas ou em mudança — tarefa que hoje depende de avaliação manual.
Outra inovação, a microscopia confocal por reflectância, permite visualizar camadas abaixo da superfície cutânea. O método alcança cerca de 80% de precisão na detecção de melanoma, tipo mais letal de câncer de pele. Dados da American Cancer Society apontam aproximadamente 112 000 novos casos de melanoma por ano nos Estados Unidos.
Imagem: Sumner Park FOXBusiness via foxbusiness.com
Segundo a Dra. Rotemberg, o desafio é “encontrar todos os cânceres de pele e, ao mesmo tempo, evitar biópsias desnecessárias”. Ela afirma que os sistemas de IA contribuem para aumentar a especificidade dos exames, reduzindo procedimentos invasivos sem comprometer a identificação de tumores.
Médicos também avaliam um dermatoscópio acoplado a câmeras de smartphones, que utiliza IA para oferecer avaliações rápidas e potencialmente ampliar o rastreamento em ambientes remotos. Apesar dos avanços, especialistas reforçam que as plataformas servem como suporte e não substituem a análise clínica. Aplicativos de saúde direcionados ao consumidor podem apresentar resultados inconsistentes e jamais devem substituir a avaliação profissional.
Com a expansão da IA na medicina, profissionais reiteram a necessidade de preservar a relação médico-paciente e de garantir o uso responsável das tecnologias.