Investidores brasileiros aderem a BDRs e ETFs de minerais críticos, mas especialistas veem alta volatilidade

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O crescente debate sobre a transição energética elevou o interesse dos brasileiros por ativos ligados a minerais críticos. Corretoras passaram a disponibilizar BDRs e ETFs estrangeiros ao público em geral, incluindo investidores não qualificados, que podem aplicar a partir da B3.

Como funciona o acesso

A porta de entrada mais simples são os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) que replicam a variação de fundos temáticos listados nos Estados Unidos. Na prática, o investidor compra na B3 um certificado atrelado a ETFs focados no setor de mineração.

Entre os destaques:

  • Bura39 – segue um fundo de empresas de urânio; valorização de mais de 95% em 12 meses.
  • BCPX39 – exposto a companhias de cobre; alta de 77% no mesmo período.
  • BLBT39 – ligado à cadeia de lítio e baterias; avanço de 65% em um ano.

Riscos apontados por analistas

Apesar dos ganhos recentes, especialistas ressaltam a instabilidade desse mercado. “Existe potencial graças à descarbonização, mas tensões geopolíticas trazem forte volatilidade”, afirma Eduardo Cardoso, sócio da gestora Ore Investment.

O comportamento do lítio ilustra o alerta: desde 2022, o preço do mineral cedeu cerca de 90%, refletindo um ritmo menor da transição energética e pressionando ações e fundos do segmento. Movimento semelhante ocorre com níquel e cobalto.

Investimento direto nos EUA

Segundo Leonardo Laport, chefe de Equities Global para a América Latina no banco Jefferies, é possível aplicar diretamente nos ETFs negociados em Nova York por meio de corretoras que oferecem conta internacional, como XP, BTG, Inter e Avenue Itaú.

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Imagem: redir.folha.com.br

Nesse caso, o investidor ganha acesso a uma gama maior de produtos, mas precisa considerar variações cambiais e a incidência de Imposto de Renda sobre ganhos em dólar. Entre os fundos mais negociados estão:

  • REMX (VanEck) – focado em terras raras; valorização de 124% em 12 meses.
  • EART (Global X) – carteira de minerais críticos; ganho de 104% no mesmo intervalo.

Ações de mineradoras

Além dos fundos, há a opção de comprar ações de empresas do setor. Na B3, a Vale subiu 46% nos últimos 12 meses, embora seu desempenho esteja mais atrelado ao minério de ferro.

Pelos BDRs, o investidor também encontra papéis de companhias estrangeiras:

  • Sigma Lithium – recuo de 4,35% em 12 meses.
  • MP Materials – alta de 124,34%.
  • Albemarle – avanço de 110,8%.
  • Rio Tinto – ganho de 31,32%.
  • Brasil Potássio – valorização de 143,53%.

Embora o setor atraia atenção pela demanda projetada na economia de baixo carbono, analistas recomendam cautela e diversificação diante da sensibilidade dos preços de minerais a ciclos econômicos e eventos geopolíticos.

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