Investidores sofrem perdas ao tentar antecipar rumos da economia, apontam especialistas

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O avanço dos juros globais reacendeu o alerta entre economistas e gestores sobre a distância crescente entre o ritmo do mercado financeiro e o da economia real. A avaliação é que muitos investidores têm tomado decisões apressadas ao tentar prever movimentos que, na prática, podem nem ocorrer.

A velocidade da Faria Lima

Durante participação no programa Espresso Outliers, do InfoMoney, o economista-chefe da XP Asset, Fernando Genta, explicou que “o mercado muda antes do fato” e se movimenta a partir de expectativas. Ele observou que projeções precipitadas, como apostas em cortes de juros ainda não confirmados, já são suficientes para alterar preços de ativos. “O investidor olha o dado do mês e projeta uma curva inteira. A economia não funciona nessa velocidade”, afirmou.

Oscilações de inflação e decisões de política monetária vêm forçando revisões rápidas de cenários, deslocando contratos de juros futuros e provocando realocações de carteiras antes de qualquer evidência de mudança estrutural. Para analistas, confundir movimentos de curto prazo com tendências de longo prazo é o erro mais comum.

Ativos reais como âncora

Gestores que operam com garantias físicas relatam menor influência da volatilidade diária sobre seus portfólios. Diretor da Valora Investimentos, Alessandro Vedrossi comparou o comportamento do mercado ao ciclo de um imóvel. “O mercado pode exagerar no curto prazo, mas o ativo não muda porque a curva futura oscilou”, disse. Ele citou o setor imobiliário como exemplo de resiliência: “A Apple pode desaparecer em dez anos, mas um prédio em área valorizada não”.

Vedrossi ressaltou que cada classe de ativo responde a estímulos distintos. “A bolsa reage ao humor; o crédito reage ao fluxo; o imóvel reage ao inquilino”, resumiu.

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Imagem: infomoney.com.br

Confusão entre tático e estrutural

Segundo Clara Sodré, analista da XP e apresentadora do mesmo programa, investidores individuais costumam mesclar estratégias de longo prazo com operações de curto prazo, o que compromete ganhos. Ela lembrou o recente fluxo para o ouro motivado por tensões geopolíticas: quando o cenário internacional arrefeceu, o metal perdeu força, evidenciando o caráter passageiro da tese.

Sodré observou que a psicologia do investidor muda com o humor do mercado: “Se os juros sobem, o plano de dez anos vira urgência de dez dias; se a bolsa cai, a estratégia de dividendos é abandonada pelo medo da volatilidade”.

Para os especialistas, separar ruído de fundamento tornou-se essencial. Como concluiu Fernando Genta, mesmo projeções equivocadas movimentam preços “e movimentam antes”.

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