A Procuradoria dos Estados Unidos para o Distrito de Colúmbia abriu uma investigação criminal contra o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, com foco na reforma da sede da instituição em Washington e na veracidade dos relatos apresentados por ele ao Congresso sobre o projeto.
Fontes ouvidas pelo The New York Times, primeiro veículo a noticiar o caso, afirmam que o inquérito busca apurar se Powell descreveu corretamente o escopo e o custo da obra durante depoimentos no Capitólio.
A renovação das duas principais edificações do Fed no bairro de Foggy Bottom está orçada em US$ 2,5 bilhões, valor bancado integralmente pelo próprio banco central, que se autofinancia por meio de juros sobre títulos do governo e tarifas cobradas de instituições financeiras.
Em audiência no Comitê Bancário do Senado, em junho de 2025, Powell declarou que não haveria “novo mármore”, “elevadores especiais” nem “jardins suspensos” na reforma. Segundo ele, o prédio Marriner S. Eccles precisava de intervenções estruturais por não ser “realmente seguro” nem à prova d’água.
O dirigente também atribuiu estouros de orçamento a desafios inesperados na construção e à inflação do país. A previsão é que as obras terminem no outono de 2027, com retorno dos funcionários previsto para março de 2028.
Em vídeo divulgado na noite de domingo, o presidente do Fed confirmou ter sido notificado e classificou a iniciativa do Departamento de Justiça como “sem precedentes” e motivada por razões políticas. “A ameaça de acusações criminais decorre de o Federal Reserve definir a taxa de juros segundo nossa melhor avaliação do interesse público, e não pelas preferências do presidente”, afirmou.
Imagem: Amanda Macias FOXBusiness via foxbusiness.com
O relacionamento entre Powell e o presidente Donald Trump já estava tenso devido à política de juros. Trump pressiona por cortes mais acelerados, argumentando que a medida pouparia “centenas de bilhões de dólares” ao país. Ele nomeou Powell em 2017, mas vem intensificando críticas pessoais, incluindo apelidos pejorativos.
Trump chegou a ameaçar processar o chefe do banco central e ridicularizou o custo da reforma. Em novembro, declarou que o projeto estava “chegando a US$ 4 bilhões” e ironizou: “Estão construindo um porão dentro do rio Potomac; eu poderia ter dito que isso é muito difícil e caro”.
A Casa Branca não respondeu de imediato aos pedidos de comentário.