Relatório da Polícia Federal (PF) que detalha vínculos entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e empresários ligados ao Banco Master levou integrantes do Congresso e da corte a intensificarem entendimentos para conter possíveis danos políticos.
O documento, elaborado a partir da análise de telefones e computadores do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, indica relações de Toffoli com pessoas próximas ao Master. Parlamentares que acompanham o caso afirmam que a PF encontrou referências a outros políticos e começou a rastrear transações financeiras entre esses nomes e o grupo de Vorcaro.
No Senado, ao menos metade da Casa avalia unir-se a ministros do STF para frear avanços das investigações. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Davi Alcolumbre (União-AP), teme que o inquérito atinja o fundo de previdência dos servidores do Amapá, que aplicou recursos no Banco Master sob gestão de aliados seus.
Em nota pública, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro, e Antônio Rueda, presidente do União Brasil, saíram em defesa de Toffoli. O gesto aproximou parte da direita de magistrados do Supremo.
Por outro lado, grupo menor de senadores liderado por Renan Calheiros (MDB-AL) pretende aprofundar a apuração, movimento que pode afetar adversários políticos, como o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ainda não citado nos autos.
O ministro André Mendonça, indicado por Bolsonaro ao Supremo e identificado à época como “terrivelmente evangélico”, assumiu a relatoria do caso Banco Master. Mendonça já conduz o processo relacionado ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e, segundo interlocutores, avalia remeter parte do inquérito a instâncias inferiores.
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A chegada de Mendonça ao caso ocorre em meio a tensão entre o STF e a cúpula do Senado, que retardou a sabatina dele em 2021. O posicionamento do ministro é considerado decisivo para a manutenção ou o desmonte do acordo informal costurado entre parlamentares e magistrados.
Setores do Supremo e líderes do Congresso avaliam que o governo Lula estaria utilizando a PF em disputas políticas, hipótese para a qual não há comprovação até o momento. Integrantes do Executivo e aliados mantinham boa relação com Vorcaro, o que, segundo interlocutores, enfraquece a tese de interferência.
A investigação do Master também impacta a Comissão Parlamentar de Inquérito do INSS, vista como outro ponto sensível para congressistas que tentam preservar alianças eleitorais, cargos e repasses de emendas.
Enquanto as articulações prosseguem, autoridades acompanham com cautela a possibilidade de delações ou prisões que possam romper o entendimento em formação.