As startups dedicadas à fusão nuclear atraíram 43 rodadas de financiamento em 2025, maior número já registrado pelo setor, e levantaram US$ 2,3 bilhões (cerca de R$ 12 bilhões), segundo o PitchBook.
O interesse de fundos de venture capital cresceu diante da perspectiva de uma fonte de energia abundante, barata e livre de carbono, resultado da fusão de núcleos atômicos sob calor ou pressão extremos — processo distinto da fissão, que divide átomos.
Com projetos que já exigem aportes bilionários, algumas empresas começam a mirar a Bolsa de Valores. A canadense General Fusion anunciou, em janeiro, a intenção de combinar operações com uma companhia de propósito específico (SPAC) que a avaliaria em cerca de US$ 1 bilhão, abertura prevista para meados de 2026. Se concretizado, será o primeiro negócio focado exclusivamente em fusão nuclear a chegar ao mercado acionário.
Em dezembro, a TAE Technologies informou planejar listagem pública por meio de fusão com o Trump Media & Technology Group, avaliação estimada em US$ 6 bilhões.
Na transação que sustenta a General Fusion, o preço do financiamento Pipe — capital privado de investidores institucionais — foi fixado em US$ 12 por ação, valor 20% superior ao preço de referência da abertura.
Para Ally Yost, vice-presidente sênior da Commonwealth Fusion Systems (CFS), empresa que já arrecadou cerca de US$ 3 bilhões, o segmento vive “mais rodadas, porém menores” para novos entrantes, enquanto grupos consolidados avançam para fases “muito mais intensivas em capital”.
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Segundo executivos, a maioria das líderes desenvolve dispositivos de demonstração para provar que podem gerar mais eletricidade do que consomem. A CFS ergue um aparelho pré-comercial e projeta iniciar sua primeira usina nos Estados Unidos no início da década de 2030. A Helion Energy pretende realizar suas primeiras vendas de energia até o fim de 2028. Já a General Fusion testa um dispositivo pré-comercial.
O diretor-presidente da General Fusion, Greg Twinney, afirma que a companhia adota postura cautelosa, evitando “apostas de bilhões de dólares” em uma única máquina e preferindo testar componentes em escala menor, o que, na avaliação dele, permite atingir marcos comparáveis com investimento “uma ordem de grandeza menor”.
Apesar do entusiasmo, especialistas lembram que a fusão permanece não comprovada comercialmente. “São tecnologias a anos de distância do fluxo de caixa e que recebem avaliações malucas”, disse Ted Brandt, CEO do banco de investimento Marathon Capital. “Estamos basicamente financiando a próxima SpaceX”, completou.