A Itaú Asset Management, que administra aproximadamente R$ 1,2 trilhão, definiu que o crescimento futuro depende de atrair recursos fora do país, segundo o CEO Carlos Augusto Salamonde. Em entrevista ao programa “Stock Pickers”, o executivo afirmou que o mercado doméstico não oferece escala suficiente para dobrar o volume sob gestão.
Para alcançar esse objetivo, a gestora passou a adotar um modelo baseado em equipes reduzidas e altamente especializadas, formadas por um a três profissionais, cada qual dedicado a um nicho específico. Quatro novos grupos foram anunciados recentemente.
Antes, a chegada de um gestor talentoso exigia montar uma estrutura ampla ao redor dele. Com o novo formato, um profissional pode entrar de forma autônoma, receber uma fatia de risco para operar e, caso entregue resultados consistentes, evoluir até administrar um fundo próprio. “Estou muito satisfeito porque eles estão preenchendo o que eu chamo de álbum de figurinhas”, declarou Salamonde.
O sucesso das equipes é medido pelas fontes de retorno que conseguem gerar, não pelo número de times. Para validar os talentos, a Itaú Asset criou uma área dedicada a analisar o histórico de performance, com um banco de dados atualizado mensalmente que distingue habilidade genuína de movimentos favoráveis do mercado.
“Passamos de um passado em que ‘o fulano conhece o ciclano há 20 anos’ para um presente em que a pergunta é: ‘cadê o dado?’”, resumiu o CEO. Após a análise, um comitê de investimentos decide sobre a entrada do gestor, define o limite de risco e libera a operação.
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A gestora investiu em tecnologia e em capacidade de execução para sustentar o plano de expansão, sobretudo em parcerias com profissionais no exterior. Durante a internacionalização, a empresa percebeu que investidores estrangeiros querem acesso direto a estratégias específicas em vez de apenas ao fundo tradicional da casa, o que levou ao desenvolvimento de estruturas que atendem a essa demanda.
Salamonde avalia que existe um descompasso entre o portfólio da Itaú Asset e o reconhecimento obtido fora do Brasil. “Se formos dobrar o tamanho do nosso negócio, dificilmente dobraremos esse R$ 1,2 trilhão apenas internamente”, concluiu.