Um levantamento do economista Daniel Duque, do FGV Ibre, mostra que a jornada média de trabalho no Brasil fica ligeiramente abaixo do que seria esperado quando se consideram produtividade, demografia, tributação e transferências governamentais.
O estudo, divulgado no último domingo (data da publicação da reportagem de Rafael Cariello na Folha de S.Paulo) e posteriormente publicado no blog do instituto, utiliza a base de dados montada pelos pesquisadores Amory Gethin e Emmanuel Saez, que reúne informações sobre horas trabalhadas em diversos países ao longo de décadas.
Ao estimar a relação entre jornada semanal e os quatro determinantes — produtividade do trabalho, estrutura demográfica, carga tributária e volume de transferências públicas — Duque calculou um “efeito fixo” para cada nação, indicador que captura fatores institucionais e preferências sociais permanentes.
Os resultados contestam a ideia de que a jornada nacional seria “longuíssima” ou comparável a uma “nova escravidão”. Segundo Duque, definir ou não uma redução de horas é decisão de caráter social e cabe ao Congresso Nacional, pois envolve custos e benefícios.
Imagem: redir.folha.com.br
No mesmo dia da reportagem, o economista Victor Rangel divulgou um vídeo afirmando que o trabalho não considerava variáveis de controle. Samuel Pessôa, pesquisador do BTG Pactual e do FGV Ibre, rebateu a crítica, destacando que todos os controles foram incluídos e que a análise de painel permite isolar o efeito específico de cada país — recurso inexistente em estudos de corte transversal, método usado por Rangel.
Com o estudo, Duque acrescenta novos dados ao debate sobre a duração da jornada no Brasil e oferece subsídios para futuras discussões legislativas.